ONDE VAMOS PARAR?
29 de agosto : 11 anos da chacina de Vigário Geral |
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"Nosso bloco
está na rua, e se tiver que ter conflito armado, que
tenha. Se alguém tiver que morrer por isso, que morra.
Nós vamos partir para dentro"
Secretário de Segurança Pública do Rio
de Janeiro, fevereiro de 2003.
"O direito
à vida é inerente à pessoa humana. Este
direito deverá ser protegido pela lei. Ninguém
poderá ser arbitrariamente privado da vida"
O Artigo 6 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos.
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Onze anos após as chacinas de Vigário
Geral e Candelária constatamos que o Rio de Janeiro consolidou
como política de segurança pública a criminalização
da pobreza. Borel, Acari, Pavão-Pavãozinho, Beira-mar,
Coroa, Rocinha, Caju, Manguinhos e tantas outras comunidades
do Rio constataram em 2004 que a realidade de Vigário
e Candelária não são somente lembranças
do passado.
Leia
na íntegra artigo de Marcelo Freixo. |
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MANUAL
DE
DIREITOS HUMANOS |
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Antecipando-se ao Programa
Contra a Tortura do governo federal e como conseqüência prática
do relatório da ONU sobre o desrespeito aos Direitos Humanos no
Brasil, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da
ALERJ lançou no dia 4 de abril de 2001, o Manual "Nossos
Direitos: Conhecer para Defender".
O evento ocorreu no Ciep Presidente
João Goulart, no morro do Cantagalo, reunindo 200 jovens, inclusive
da Escola de Circo Levantando a Lona, e com a presença do presidente
da Comissão de Direitos Humanos, deputado Chico Alencar, do comandante
do Grupo de Policiamento para Áreas Especiais (GPAE), Major Carballo
Blanco, da representante da UNESCO no Rio, Marta Porto e do líder
comunitário Carlos Costa, do Balcão de Direitos do Viva Rio.
O Manual trata de questões como
abuso de autoridade, invasão de domicílio, prisão ilegal, tortura,
habeas corpus e violência contra crianças e adolescentes. Traz ainda
endereços e telefones de órgãos e entidades do Rio de Janeiro que
atuam em defesa dos Direitos Humanos. Suas 39 páginas são ilustradas
e o texto tem linguagem simples.
RELATÓRIO
SOBRE TORTURA NO BRASIL
Produzido pelo Relator Especial sobre a Tortura da Comissão
de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) |
| No dia 11 de abril foi apresentado, pela
Comissão de Direitos Humanos da Alerj, o relatório da ONU sobre
o desrespeito aos Direitos Humanos no Brasil, enfatizando a
tortura nos presídios brasileiros. Este trabalho foi o resultado
de uma visita da Comissão para Assuntos sobre Tortura, da ONU,
liderada pelo relator oficial da Organização, Nigel Rodley.
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do texto (89Kb) |
Direitos Humanos
Texto: Marcelo Freixo
15/02/2002
"Direitos Humanos para humanos
direitos". Esta frase é constantemente pronunciada por
humanos de direita, que são absolutamente absorvidos pelo
senso comum imediatista que separa a sociedade em bons e maus. Muitos
destes, profissionais da área de segurança, totalmente
desgastados e descrentes com o exercício do seu trabalho.
A noção que herdamos dos direitos humanos é
oriunda da revolução francesa, na qual uma burguesia
revolucionária lutava contra os entraves do absolutismo monárquico.
As bases desta noção eram o individualismo, a propriedade
privada e a universalidade. Tais princípios eram indissociáveis.
Como a história é dialética, hoje a luta pelos
direitos humanos se transformou num grande instrumento mundial contra
a exclusão provocada pelo próprio capitalismo, em
sua mais nova fase neoliberal. O Estado mínimo, o desemprego
e a forte exclusão social são marcas estruturais deste
novo modelo econômico e social. Para todo Estado mínimo
é necessário um Estado máximo de repressão.
As décadas de 80 e 90 consolidaram um capitalismo neoliberal
não produtivo, no qual o lucro é garantido na especulação
e não na produção. Tal conjuntura acelera ainda
mais as fortes concentrações de renda e riqueza históricas
em nosso país, formando uma massa de subcidadãos absolutamente
inimpregáveis. Nasce uma nova "classe perigosa",
aqueles que sobraram no mercado. O "perigo não mora
mais na ideologia e sim nos restos da economia".
Os projetos de segurança pública, quase na sua totalidade,
são pensados e construídos de forma míope e
influenciados pela histeria social coletiva. Tentam garantir a ordem
se comprometendo com o controle "cada vez mais eficaz"
desta massa humana que sobrou de nosso mercado, e que lotam delegacias,
prisões, ruas e manicômios. São, na verdade,
gente pobre que não possui a menor referência com qualquer
aspecto da cidadania.
Esta miopia da segurança e a mercantilização
dos meios de comunicação só visualizam como
violento e ameaçador a violência que atinge a ordem
estabelecida. Não querem perceber a violência intrínseca
da própria ordem.
A escravidão infantil não é crime hediondo.
O que diríamos então se soubéssemos que o número
de crianças trabalhando em regime de escravidão ou
semi - escravidão é três vezes maior do que
o número de pessoas seqüestradas? O que mais nos preocupa?
O seqüestro ou a escravidão? O que ocupa as páginas
dos jornais?
Os bancos respeitam o código de defesa do consumidor? O combate
ao crime contra o patrimônio público é feito
com o mesmo empenho do combate ao crime contra o patrimônio
privado? O lucro dos bancos com os juros dos cheques especiais podem
ser comparados com os rendimentos das cadernetas de poupanças?
A violação do domicílio é ato cotidiano
nas comunidades pobres , mas temos imensas dificuldades para quebrar
o sigilo bancário de nossa elite corrupta . Segundo o DIEESE,
o tempo médio de desemprego do trabalhador brasileiro em
1989 era de 15 semanas. No ano de 2000, passou para 40 semanas.
"O Brasil é o país da impunidade". Todos
nós já pronunciamos ou ouvimos tal afirmação.
Impunidade para quem? Para a população pobre, favelada
ou de rua a justiça e a polícia são extremamente
punitivas e ágeis. Porém, quantos crimes financeiros
foram apurados e geraram punições exemplares nos últimos
anos?
A impunidade tem endereço certo!
É neste contexto que a luta pelos direitos humanos se reafirma
como um novo paradigma moral, ético e político na
sociedade brasileira. O senso comum nos acusa de sermos defensores
dos bandidos e algozes dos policiais. Um grande equívoco.
Os policiais são os principais defensores dos direitos humanos,
pois são aqueles que devem fazer cumprir as leis.
O que não aceitamos é que as prisões continuem
sendo depósitos de pobres. Sem projeto político, sem
fiscalização externa e sem perspectiva.
O que não aceitamos é que se banalizem e generalizem
a corrupção e a violência policial. A maioria
dos policiais são honestos e sofrem com as péssimas
condições de trabalho, falta de investimento e descrédito
da população.
O que aceitamos e queremos é que a sociedade brasileira,
neste momento, ímpar de otimismo político, construa
junto com o novo governo esta cultura dos direitos, amplie a participação
social e política e faça nascer a democracia que ainda
não conhecemos. Para todos
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Histórico
da Declaração Universal dos
Direitos Humanos |
| Para entendermos
o que são Direitos Humanos de forma clara e correta é
preciso conhecer sua história, o porquê de sua
existência e como surgiram. Veremos, então, que
o esforço para atingir a justiça entre os homens
se confunde com a própria história das sociedades.
Podemos começar pela antigüidade,
onde é fácil notar que o esforço humano
para se organizar socialmente pode ser considerado o primeiro
passo para fugir à barbárie e perceber o outro,
sinalizando o caminho fundamental para a própria descoberta
humana e de seus direitos naturais. Como forma de ilustração
podemos citar a Babilônia, onde se tem o primeiro registro
da tentativa de se buscar justiça com o Código
de Hammurabi (1730 - 1685 a.C.), onde se lê que Hammurabi
veio para "fazer brilhar a justiça (...) para
impedir o poderoso de fazer mal aos débeis". Mas
nem todas as sociedades antigas se fundamentavam em códigos;
na China os ensinamentos de Confúcio (551 - 479 a.C.)
pautavam a conduta dos homens pela via prática, sem
nunca perder a perspectiva do outro: "não faças
ao outro o que não quiseres que façam contigo.
Não haverá então queixa contra ti no
Estado nem em família".
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| continua... |
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