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CAI A MÁSCARA DO GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL
 

Pronunciamento
(Do Sr. Deputado Chico Alencar, PSOL/RJ)

O governador do meu estado, Sérgio Cabral Filho, do PMDB, é uma raposa política. Domina muito bem as manhas e artimanhas do jogo do poder, e seu sucesso é inegável, com o lastro de excelentes votações – tão logo concluiu sua faculdade foi eleito deputado estadual e iniciou longa “carreira” na vida pública. Simpático – herança familiar irrenunciável -, jovial, progressista nos costumes, está tarimbado nas articulações com os esquemas mais retrógrados e clientelistas.

Eis que chega ao governo do estado e enfrenta, afinal, seu maior desafio. Aparentemente desvencilhou-se da rede de Garotinho, que sempre apoiou – a ponto de acolher a mulher do indigitado Silveirinha em seu gabinete na ALERJ – e de quem recebeu apoio na disputa pelo Palácio Guanabara. Aparentemente distanciou-se um pouco de Picciani e, na prática, vinculou-se fortemente a Lula, com identidades políticas (a ambiguidade como norma na composição da equipe de governo) e de personalidade (não fazem o gênero da carranca, do homem público pré-ocupado).

As linhas gerais de sua administração, que sintetiza sempre na “qualidade da gestão”, são híbridas: investimentos públicos nas áreas mais necessitadas e valorização dos servidores não constam do ideário de Joaquim Levy, por quem Cabral moveu mundos e fundos para entregar a chave do cofre estadual, dilapidado por seu colega de partido, aliado (ou ex?) e ex-governador Garotinho. Seu viés de cultor da beleza da cultura da nossa gente, de líder sensível às dores dos mais fracos, em especial dos idosos, e excluídos, choca-se com a política de segurança do confronto descuidado, que tem ceifado preciosas vidas inocentes a cada incursão violenta e sem precauções, como recém-acontecido na Rocinha. E como jamais acontecerá num bairro de classe média – a diferença até o Secretário de Segurança demarcou, em incrível “ato falho”.

Agora, com a exoneração do correto professor Nelson Maculan da Secretaria de Estado de Educação, no dia de abertura do ano letivo de 2008, numa rede de ensino em agônica crise, Cabral Filho revela um pouco do que é, mais do que aparenta ser.

A expectativa de 1.200.000 alunos, 80.000 professores e 30.000 funcionários dessas unidades escolares - criada a partir de compromisso público do atual governador, quando candidato, em atender suas principais reivindicações – foi, mais uma vez, frustrada.

O ano começou igual àquele que passou... faltam cerca de 26000 professores, há 200.000 alunos sem aula, os salários dos profissionais de educação continuam irrisórios, professores, funcionários e a comunidade escolar não têm o direito de eleger os diretores de escolas.

A solução mais fácil encontrada pelo governador foi a exoneração do Secretário de Educação, que já ocupara o cargo de Secretário de Educação Superior do MEC. Maculan, engenheiro e pesquisador, mestre em Estatística-Matemática pela Faculdade de Ciências da Universidade de Paris e Doutor em Engenharia de Produção pela UFRJ, foi reitor da UFRJ, entre 1990 e 94. Ele também presidiu a Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Em 2005, recebeu o título Doutor Honoris Causa da Universidade de Paris, onde fez mestrado. É membro titular de três Academias: Brasileira de Ciências, Nacional de Engenharia e da Academia Européia de Artes, Ciências e Letras, com sede em Paris.

O professor Nelson Maculan, a quem não falta currículo, afirma em sua carta de despedida ter encontrado resistência do governo para reajustar o salário de professores. Tudo indica que ele também foi boicotado no esforço para contratar professores. Também é público que, em outubro de 2007, Maculan publicou resolução onde determinava que a escolha de diretores seria realizada através de eleições. Porém, dez dias depois a Casa Civil cancelou esta resolução, alegando problemas jurídicos.

Para nós e para o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação – SEPE, este é um argumento falso. A verdade é que as indicações de políticos para gerir as escolas e as coordenadorias nunca acabaram e teria havido pressão política para que a resolução fosse cancelada.

A secretária indicada, Tereza Porto é analista de sistemas formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), diretora do Proderj exerceu ainda dois mandatos à frente da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação (ABEP - 2005 e 2006).

Importante formação técnica, mas que destoa das democrática e pedagógica, quando afirma que “é favorável a um modelo de gestão em que os administradores tenham um treinamento, metas e sejam submetidos à avaliação. Mas não necessariamente sejam eleitos.”

Talvez a nova direção da Secretaria de Estado de Educação esteja mais próxima de uma gestão que facilitará interesses eleitorais através de indicações de diretores e coordenadores, além de composições no PMDB. E para orientar “tecnicamente” os 30.000 professores que receberão os lap-tops comprados pelo governo estadual. É provável que a gestão Maculan não estivesse facilitando a abertura de caminhos que passassem não por uma vigorosa e urgente política de educação, mas pela velha e manipuladora política na educação. A educação pública do Rio continua sendo maltratada, continua sendo moeda de troca.

Agradeço a atenção,

Sala das Sessões, 21 de fevereiro de 2008.

Chico Alencar
PSOL/RJ

   
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