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Por três assinaturas, CPI do Corinthians é arquivada
Fábio Góis - Congresso em Foco
O deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), que preside a sessão
de hoje (8) no Congresso, anunciou há pouco o arquivamento da CPI
do Corinthians, alegando que os autores do requerimento para abertura
da comissão não haviam conseguido o número mínimo
de assinaturas necessárias para a instalação.
O deputado Silvio Torres (PSDB-SP), um dos autores do requerimento pelo
a abertura da CPI, conseguiu coletar apenas 168 assinaturas dos colegas,
sendo que o necessário seria 171. Entre os senadores, seriam necessários
27 signatários (nesse caso, o número de assinaturas de adesão
obtidas, 39, seria suficiente).
"É triste ver uma CPI morrendo ainda no nascedouro",
lamentou Silvio Torres, que durante toda a manhã buscou novas assinaturas
para a instalação da CPI.
O deputado criticou firmemente a atuação da Confederação
Brasileira de Futebol (CBF) no episódio. Para ele, o poder conferido
a Ricardo Teixeira com a escolha do Brasil como país-sede da Copa
de 2014 foi determinante para a retirada das assinaturas de apoio - o
dirigente estaria pressionando governadores, sob a ameaça de excluí-los
da disputa de ter jogos da Copa realizados em seus estados, a interceder
junto a parlamentares de seus partidos a não apoiar a CPI. (leia
mais)
"O Congresso vai blindar por sete anos as pessoas que deveriam ser
investigadas? Vamos ficar reféns do Ricardo Teixeira e da CBF até
a Copa?", indignou-se o deputado, que apontou ainda a influência
da instituição junto ao Parlamento. "É muito
difícil lutar contra um grupo tão poderoso."
CPI no Senado
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) saiu em defesa de Silvio Torres, e manifestou
seu descontentamento com a derrubada da CPI. "São acontecimentos
como esse que deixam o Congresso enxovalhado", desabafou. O tucano
também comentou a possibilidade de o Senado abrir uma comissão
simples para investigar a parceria entre o clube paulista e a empresa
MSI - que, segundo investigações em curso na Polícia
Federal e no Ministério Público, teria infringido o sistema
financeiro nacional.
"Existe a possibilidade, mas temos de analisar bem os fatos antes
de tudo. Temos de ver se há disponibilidade dos senadores. Não
queremos uma CPI para ser notícia, queremos fazer um trabalho fundamentado.
Investigar expõe muito as pessoas, é complicado", disse
Alvaro Dias ao Congresso em Foco. "Não descarto [uma CPI do
Corinthians no Senado], mas não posso assumir esse compromisso
precipitadamente."
Objetivo alcançado
Publicamente contrário à instalação da CPI,
o deputado José Rocha (PR-BA) disse há pouco que não
tinha motivos para comemorar o arquivamento da CPI, mas que, de certa
forma, ficou feliz com o resultado. "Sou contra a CPI porque não
é o momento adequado", disse o parlamentar, que classificou
o corpo-a-corpo pela não assinatura do requerimento com uma "dura
batalha".
Bom para o futebol brasileiro, acrescentou Rocha, "é ter uma
legislação que dê estabilidade ao esporte, com dirigentes
sérios que façam um trabalho competente para o futebol brasileiro".
Pronunciamento
(Do Deputado Chico Alencar, PSOL/RJ)
Já tive oportunidade de me manifestar nessa tribuna sobre a importância
da realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014. O futebol,
para nós brasileiros, não é apenas um evento esportivo,
mas contribui para constituir nossa identidade como Estado-Nação.
Somos apaixonados por futebol. A Copa do Mundo é o momento onde
esta identidade coletiva se materializa em festas, nas ruas decoradas
e na subversão aceita do calendário: o Brasil pára.
Sem necessidade de decreto ou outro tipo de coerção externa,
a sociedade se organiza para festejar o verde e o amarelo com toda a força
da consciência coletiva e ruidosa. No entanto, um torneio desse
vulto, para além da celebração espontânea,
movimenta milhões e milhões de dólares. Recursos
públicos e privados serão investidos.
A experiência histórica nos diz que devemos ter mecanismos
eficazes de controle e de decisão. Repito que o Mundial não
poderá servir para balcão de negócios, para enriquecimento
ilícito e para anistiar "dirigentes" esportivos de processos
e de possíveis condenações na Justiça.
Conforme apontou Benjamin Steinbruch, em lúcido artigo no jornal
Folha de São Paulo (6/11/07), "(...) mais importante do que
discutir valores é discutir controles. A preparação
de um evento internacional do porte da Copa do Mundo abre grande espaço
para erros e desvios. Então, é necessário agir preventivamente.
(...) Antes que o primeiro dólar dessa conta seja gasto, seria
recomendável a criação de um Comitê Fiscalizador
de Obras e Serviços da Copa do Mundo de 2014, o FisCopa. Formado
por um pequeno número de homens e mulheres públicas ilibados,
esse comitê, assessorado por auditoria independente, poderia representar
uma garantia de controle a partir do momento em que começarem os
desembolsos com as obras para a Copa."
Os cuidados preventivos para a Copa de 2014 são decisivos para
não corrermos o risco de repetir, em grau maior, os erros e abusos
cometidos no PAN do Rio e que ainda exigem uma investigação
minuciosa, cada vez mais difícil com o passar do tempo e com os
inadmissíveis adiamentos da CPI da Câmara Municipal do Rio
de Janeiro, proposta pelo vereador e nosso companheiro Eliomar Coelho.
Sem dúvida, a CPMI do futebol (MSI/Corinthians) poderá contribuir
para apurar e investigar inúmeras denúncias contra dirigentes
e clubes do futebol nacional. A instalação da CPMI, proposta
pelo deputado Silvio Torres, que inicialmente contava com o apoio de 209
deputados e 38 senadores, começa a ser ameaçada. Por que
tantos deputados e senadores do PMDB, PSDB, DEM, PCdoB, PP, PV e PR retiraram
suas assinaturas? Qual o medo que paira? Quem os está pressionando?
Abaixo reproduzimos a lista com o nome daqueles que retiraram suas assinaturas.
São deputados e senadores que devem ser cobrados por sua posição
sem firmeza. A pressão para retirada de assinaturas continua grande.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Fifa deveriam
aplaudir a decisão da Câmara dos Deputados de instalar uma
CPMI. Por que a entidade nacional opera contra?
É patético que um deputado ou um senador, que em tese tem
fé pública, assine um requerimento e depois assassine sua
própria convicção, por exigência de um "chefe",
seja ele governador de estado ou presidente da CBF.
Não instalar a CPMI é declarar que, nos preparativos do
Brasil para a Copa do Mundo, vai se praticar o antijogo das obras superfaturadas,
o "carrinho por trás" do tráfico de influência,
a falta de criatividade de apenas se fazer, burocraticamente, tudo que
seu mestre (inclusive do dinheiro para as campanhas eleitorais) mandar...
A CPMI das relações suspeitas MSI/Corinthians é fundamental
para promover uma ampla investigação nos clubes brasileiros.
A suposta parceria mafiosa entre um clube tão popular e um esquema
de grande amplitude de lavagem de dinheiro internacional, débitos
com o fisco, falta de profissionalismo e de transparência levam
o futebol brasileiro quase à falência. E apontam a necessidade
imperiosa de uma profunda e radical investigação sobre uma
atividade que mobiliza nossas emoções... e nossos recursos.
Que não podem ficar fora de controle.
Deputados
Afonso Hamm (PP-RS)
Airton Roveda (PR- PR)
Alexandre Silveira (PPS-MG)
Angelo Vanhoni (PT-PR)
Anibal Gomes (PMDB-CE)
Anselmo de Jesus (PT-RO)
Antonio Bulhões (PMDB-SP)
Antonio Roberto (PV-MG)
Arnon Bezerra (PTB-CE)
Asdrubal Bentes (PMDB-PA)
Ayrton Xeres (DEM-RJ)
B. Sá (PSB-PI)
Bonifácio de Andrada (PSDB-MG)
Bruno Araújo (PSDB-PE)
Camilo Cola (PMDB-ES)
Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO)
Carlos Brandão (PSDB-MA)
Chico da Princesa (PR-PR)
Cida Diogo (PT-RJ)
Ciro Pedrosa (PV-MG)
Claudio Cajado (DEM-BA)
Cleber Verde (PTB-MA)
Colbert Martins (PMDB-BA)
Cristiano Matheus (PMDB-AL)
Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Décio Lima (PT-SC)
Domingos Dutra (PT-MA)
Dr. Pinotti (DEM-SP)
Dr. Talmir (PV-SP)
Edinho Bez (PMDB-SC)
Edmar Moreira (DEM-MG)
Eduardo Barbosa (PSDB-MG)
Eugênio Rabelo (PP-CE)
Evandro Milhomen (PCdoB-AP)
Fátima Pelaes (PT-RN)
Fernando de Fabinho (DEM-BA)
Fernando Ferro (PT-PE)
Flávio Dino (PCdoB-MA)
Francisco Rodrigues (DEM-RR)
Frank Aguiar (PTB-SP)
Gastão Vieira (PMDB-MA)
Geraldo Pudim (PMDB-RJ)
Gonzaga Patriota (PSB-PE)
Homero Pereira (PR-MT)
Ilderlei Cordeiro (PPS-AC)
Índio da Costa (DEM-RJ)
Jaime Martins (PR-MG)
Jairo Ataíde (DEM-MG)
Jô Moraes (PCdoB-MG)
João Magalhães (PMDB-MG)
João Pizzolatti (PP-SC)
José Fernando Aparecido de Oliveira (PV-MG)
Jorge Khoury (DEM-BA)
José Carlos Aleluia (DEM-BA)
Joseph Bandeira (PT-BA)
Júlio Delgado (PSB-MG)
Jusmari Oliveira (PR-BA)
Laerte Bessa (PMDB-DF)
Lelo Coimbra (PMDB-ES)
Léo Alcantara (PR-CE)
Lincoln Portela (PR-MG)
Luciana Costa (PR-SP)
Luciano Castro (PR-RR)
Luiz Couto (PT-PB)
Marcio França (PSB-SP)
Marcio Reinaldo Moreira (PP-MG)
Marcondes Gadelha (PSB-PB)
Marcos Montes (DEM-MG)
Maria Lúcia Cardoso (PMDB-MG)
Maurício Rands (PT-PE)
Milton Monti (PR-SP)
Nárcio Rodrigues (PSDB-MG)
Neilton Mulin (PR-RJ)
Nelson Bornier (PMDB-RJ)
Nelson Goetten (PR-SC)
Nelson Marquezelli (PTB-SP)
Nelson Meurer (PP-PR)
Neucimar Fraga (PR-ES)
Osmar Serraglio (PMDB-PR)
Pastor Manuel Ferreira (PTB-RJ)
Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG)
Paulo Bornhausen (DEM-SC)
Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE)
Paulo Pereira (PDT-SP)
Pedro Fernandes (PTB-MA)
Pepe Vargas (PT-RS)
Perpétua Almeida (PCdoB-AC)
Pinto Itamaraty (PSDB-MA)
Prof. Sétimo (PMDB-MA)
Rafael Guerra (PSDB-MG)
Ribamar Alves (PSB-MA)
Roberto Rocha (PSDB-MA)
Rodrigo de Castro (PSDB-MG)
Sebastião Madeira (PSDB-MA)
Sérgio Moraes (PTB-RS)
Urzeni Rocha (PSDB-RR)
Valadares Filho (PSB-SE)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Vicentinho Alves (PR-TO)
Virgílio Gumarães (PT-MG)
Vitor Penido (DEM-MG)
Waldir Maranhão (PP-MA)
Wladimir Costa (PMDB-PA)
Zé Geraldo (PT-PA)
Zequinha Marinho (PMDB-PA)
Senadores
Cícero Lucena (PSDB-PB)
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Ademir Santana (DEM-DF)
Almeida Lima (PMDB-SE)
João Tenório (PSDB-AL)
Agradeço a atenção,
Sala das Sessões, 7 de novembro de 2007.
Chico Alencar
Líder do PSOL/RJ
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