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O DRIBLE DAS ASSINATURAS
Nesta quinta-feira (8/11), Chico criticou a manipulação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na tentativa de retirar os nomes dos deputados e senadores da CPI do Futebol, destinada a investigar a corrupção no setor. O deputado Silvio Torres, autor da proposta, também criticou a CBF por pressionar parlamentares. Não adiantou: a CPI foi engavetada nesta quinta-feira, depois que 111 parlamentares retiraram seus nomes. Faltaram apenas três assinaturas para que a CPI fosse instalada. Saiba quem derrubou a CPI e leia o pronunciamento do Chico.
 

Por três assinaturas, CPI do Corinthians é arquivada

Fábio Góis - Congresso em Foco
O deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), que preside a sessão de hoje (8) no Congresso, anunciou há pouco o arquivamento da CPI do Corinthians, alegando que os autores do requerimento para abertura da comissão não haviam conseguido o número mínimo de assinaturas necessárias para a instalação.
O deputado Silvio Torres (PSDB-SP), um dos autores do requerimento pelo a abertura da CPI, conseguiu coletar apenas 168 assinaturas dos colegas, sendo que o necessário seria 171. Entre os senadores, seriam necessários 27 signatários (nesse caso, o número de assinaturas de adesão obtidas, 39, seria suficiente).
"É triste ver uma CPI morrendo ainda no nascedouro", lamentou Silvio Torres, que durante toda a manhã buscou novas assinaturas para a instalação da CPI.
O deputado criticou firmemente a atuação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no episódio. Para ele, o poder conferido a Ricardo Teixeira com a escolha do Brasil como país-sede da Copa de 2014 foi determinante para a retirada das assinaturas de apoio - o dirigente estaria pressionando governadores, sob a ameaça de excluí-los da disputa de ter jogos da Copa realizados em seus estados, a interceder junto a parlamentares de seus partidos a não apoiar a CPI. (leia mais)
"O Congresso vai blindar por sete anos as pessoas que deveriam ser investigadas? Vamos ficar reféns do Ricardo Teixeira e da CBF até a Copa?", indignou-se o deputado, que apontou ainda a influência da instituição junto ao Parlamento. "É muito difícil lutar contra um grupo tão poderoso."
CPI no Senado
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) saiu em defesa de Silvio Torres, e manifestou seu descontentamento com a derrubada da CPI. "São acontecimentos como esse que deixam o Congresso enxovalhado", desabafou. O tucano também comentou a possibilidade de o Senado abrir uma comissão simples para investigar a parceria entre o clube paulista e a empresa MSI - que, segundo investigações em curso na Polícia Federal e no Ministério Público, teria infringido o sistema financeiro nacional.
"Existe a possibilidade, mas temos de analisar bem os fatos antes de tudo. Temos de ver se há disponibilidade dos senadores. Não queremos uma CPI para ser notícia, queremos fazer um trabalho fundamentado. Investigar expõe muito as pessoas, é complicado", disse Alvaro Dias ao Congresso em Foco. "Não descarto [uma CPI do Corinthians no Senado], mas não posso assumir esse compromisso precipitadamente."
Objetivo alcançado
Publicamente contrário à instalação da CPI, o deputado José Rocha (PR-BA) disse há pouco que não tinha motivos para comemorar o arquivamento da CPI, mas que, de certa forma, ficou feliz com o resultado. "Sou contra a CPI porque não é o momento adequado", disse o parlamentar, que classificou o corpo-a-corpo pela não assinatura do requerimento com uma "dura batalha".
Bom para o futebol brasileiro, acrescentou Rocha, "é ter uma legislação que dê estabilidade ao esporte, com dirigentes sérios que façam um trabalho competente para o futebol brasileiro".


Pronunciamento
(Do Deputado Chico Alencar, PSOL/RJ)

Já tive oportunidade de me manifestar nessa tribuna sobre a importância da realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014. O futebol, para nós brasileiros, não é apenas um evento esportivo, mas contribui para constituir nossa identidade como Estado-Nação. Somos apaixonados por futebol. A Copa do Mundo é o momento onde esta identidade coletiva se materializa em festas, nas ruas decoradas e na subversão aceita do calendário: o Brasil pára. Sem necessidade de decreto ou outro tipo de coerção externa, a sociedade se organiza para festejar o verde e o amarelo com toda a força da consciência coletiva e ruidosa. No entanto, um torneio desse vulto, para além da celebração espontânea, movimenta milhões e milhões de dólares. Recursos públicos e privados serão investidos.
A experiência histórica nos diz que devemos ter mecanismos eficazes de controle e de decisão. Repito que o Mundial não poderá servir para balcão de negócios, para enriquecimento ilícito e para anistiar "dirigentes" esportivos de processos e de possíveis condenações na Justiça.
Conforme apontou Benjamin Steinbruch, em lúcido artigo no jornal Folha de São Paulo (6/11/07), "(...) mais importante do que discutir valores é discutir controles. A preparação de um evento internacional do porte da Copa do Mundo abre grande espaço para erros e desvios. Então, é necessário agir preventivamente. (...) Antes que o primeiro dólar dessa conta seja gasto, seria recomendável a criação de um Comitê Fiscalizador de Obras e Serviços da Copa do Mundo de 2014, o FisCopa. Formado por um pequeno número de homens e mulheres públicas ilibados, esse comitê, assessorado por auditoria independente, poderia representar uma garantia de controle a partir do momento em que começarem os desembolsos com as obras para a Copa."
Os cuidados preventivos para a Copa de 2014 são decisivos para não corrermos o risco de repetir, em grau maior, os erros e abusos cometidos no PAN do Rio e que ainda exigem uma investigação minuciosa, cada vez mais difícil com o passar do tempo e com os inadmissíveis adiamentos da CPI da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, proposta pelo vereador e nosso companheiro Eliomar Coelho.
Sem dúvida, a CPMI do futebol (MSI/Corinthians) poderá contribuir para apurar e investigar inúmeras denúncias contra dirigentes e clubes do futebol nacional. A instalação da CPMI, proposta pelo deputado Silvio Torres, que inicialmente contava com o apoio de 209 deputados e 38 senadores, começa a ser ameaçada. Por que tantos deputados e senadores do PMDB, PSDB, DEM, PCdoB, PP, PV e PR retiraram suas assinaturas? Qual o medo que paira? Quem os está pressionando? Abaixo reproduzimos a lista com o nome daqueles que retiraram suas assinaturas. São deputados e senadores que devem ser cobrados por sua posição sem firmeza. A pressão para retirada de assinaturas continua grande. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Fifa deveriam aplaudir a decisão da Câmara dos Deputados de instalar uma CPMI. Por que a entidade nacional opera contra?
É patético que um deputado ou um senador, que em tese tem fé pública, assine um requerimento e depois assassine sua própria convicção, por exigência de um "chefe", seja ele governador de estado ou presidente da CBF.
Não instalar a CPMI é declarar que, nos preparativos do Brasil para a Copa do Mundo, vai se praticar o antijogo das obras superfaturadas, o "carrinho por trás" do tráfico de influência, a falta de criatividade de apenas se fazer, burocraticamente, tudo que seu mestre (inclusive do dinheiro para as campanhas eleitorais) mandar...
A CPMI das relações suspeitas MSI/Corinthians é fundamental para promover uma ampla investigação nos clubes brasileiros. A suposta parceria mafiosa entre um clube tão popular e um esquema de grande amplitude de lavagem de dinheiro internacional, débitos com o fisco, falta de profissionalismo e de transparência levam o futebol brasileiro quase à falência. E apontam a necessidade imperiosa de uma profunda e radical investigação sobre uma atividade que mobiliza nossas emoções... e nossos recursos. Que não podem ficar fora de controle.
Deputados
Afonso Hamm (PP-RS)
Airton Roveda (PR- PR)
Alexandre Silveira (PPS-MG)
Angelo Vanhoni (PT-PR)
Anibal Gomes (PMDB-CE)
Anselmo de Jesus (PT-RO)
Antonio Bulhões (PMDB-SP)
Antonio Roberto (PV-MG)
Arnon Bezerra (PTB-CE)
Asdrubal Bentes (PMDB-PA)
Ayrton Xeres (DEM-RJ)
B. Sá (PSB-PI)
Bonifácio de Andrada (PSDB-MG)
Bruno Araújo (PSDB-PE)
Camilo Cola (PMDB-ES)
Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO)
Carlos Brandão (PSDB-MA)
Chico da Princesa (PR-PR)
Cida Diogo (PT-RJ)
Ciro Pedrosa (PV-MG)
Claudio Cajado (DEM-BA)
Cleber Verde (PTB-MA)
Colbert Martins (PMDB-BA)
Cristiano Matheus (PMDB-AL)
Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Décio Lima (PT-SC)
Domingos Dutra (PT-MA)
Dr. Pinotti (DEM-SP)
Dr. Talmir (PV-SP)
Edinho Bez (PMDB-SC)
Edmar Moreira (DEM-MG)
Eduardo Barbosa (PSDB-MG)
Eugênio Rabelo (PP-CE)
Evandro Milhomen (PCdoB-AP)
Fátima Pelaes (PT-RN)
Fernando de Fabinho (DEM-BA)
Fernando Ferro (PT-PE)
Flávio Dino (PCdoB-MA)
Francisco Rodrigues (DEM-RR)
Frank Aguiar (PTB-SP)
Gastão Vieira (PMDB-MA)
Geraldo Pudim (PMDB-RJ)
Gonzaga Patriota (PSB-PE)
Homero Pereira (PR-MT)
Ilderlei Cordeiro (PPS-AC)
Índio da Costa (DEM-RJ)
Jaime Martins (PR-MG)
Jairo Ataíde (DEM-MG)
Jô Moraes (PCdoB-MG)
João Magalhães (PMDB-MG)
João Pizzolatti (PP-SC)
José Fernando Aparecido de Oliveira (PV-MG)
Jorge Khoury (DEM-BA)
José Carlos Aleluia (DEM-BA)
Joseph Bandeira (PT-BA)
Júlio Delgado (PSB-MG)
Jusmari Oliveira (PR-BA)
Laerte Bessa (PMDB-DF)
Lelo Coimbra (PMDB-ES)
Léo Alcantara (PR-CE)
Lincoln Portela (PR-MG)
Luciana Costa (PR-SP)
Luciano Castro (PR-RR)
Luiz Couto (PT-PB)
Marcio França (PSB-SP)
Marcio Reinaldo Moreira (PP-MG)
Marcondes Gadelha (PSB-PB)
Marcos Montes (DEM-MG)
Maria Lúcia Cardoso (PMDB-MG)
Maurício Rands (PT-PE)
Milton Monti (PR-SP)
Nárcio Rodrigues (PSDB-MG)
Neilton Mulin (PR-RJ)
Nelson Bornier (PMDB-RJ)
Nelson Goetten (PR-SC)
Nelson Marquezelli (PTB-SP)
Nelson Meurer (PP-PR)
Neucimar Fraga (PR-ES)
Osmar Serraglio (PMDB-PR)
Pastor Manuel Ferreira (PTB-RJ)
Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG)
Paulo Bornhausen (DEM-SC)
Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE)
Paulo Pereira (PDT-SP)
Pedro Fernandes (PTB-MA)
Pepe Vargas (PT-RS)
Perpétua Almeida (PCdoB-AC)
Pinto Itamaraty (PSDB-MA)
Prof. Sétimo (PMDB-MA)
Rafael Guerra (PSDB-MG)
Ribamar Alves (PSB-MA)
Roberto Rocha (PSDB-MA)
Rodrigo de Castro (PSDB-MG)
Sebastião Madeira (PSDB-MA)
Sérgio Moraes (PTB-RS)
Urzeni Rocha (PSDB-RR)
Valadares Filho (PSB-SE)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Vicentinho Alves (PR-TO)
Virgílio Gumarães (PT-MG)
Vitor Penido (DEM-MG)
Waldir Maranhão (PP-MA)
Wladimir Costa (PMDB-PA)
Zé Geraldo (PT-PA)
Zequinha Marinho (PMDB-PA)
Senadores
Cícero Lucena (PSDB-PB)
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Ademir Santana (DEM-DF)
Almeida Lima (PMDB-SE)
João Tenório (PSDB-AL)

Agradeço a atenção,
Sala das Sessões, 7 de novembro de 2007.
Chico Alencar
Líder do PSOL/RJ

   
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