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Porque sou contra as Organizações Sociais
Nosso mandato sempre atuou em defesa da qualidade de vida do cidadão
carioca e dos direitos do trabalhador. E, no momento em que a crise econômica
mundial tem levado milhares de trabalhadores ao desemprego não
podemos permitir que, serviços públicos em áreas
essenciais deixem de ser prestados pelo Poder Público.
Analisando o projeto de lei n° 2/2009 - que dispõe sobre a
qualificação de entidades privadas como Organizações
Sociais - de autoria do Poder Executivo -, considero um risco que a responsabilidade
pela gestão de recursos públicos nas áreas de Educação,
Saúde, Cultura, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia, passe
à iniciativa privada.
Vale ressaltar que este não é um modelo novo. Na gestão
passada, a prefeitura foi pioneira em repassar para ONG's a total responsabilidade
pela administração de creches. Muitas foram as denúncias
de desrespeito às leis trabalhistas e casos de famílias
que tinham de arcar com todo material necessário à permanência
da criança nessas unidades de educação infantil:
lençóis, fraldas, medicamentos e alimentos. A despeito dessas
ONG's receberem verbas públicas para administração
das creches.
Na área de transportes essa estratégia também já
foi utilizada com a privatização do Metrô, Barcas
e trens. Hoje, o que assistimos é uma total afronta à dignidade
de quem paga passagens e, ao contrário de "chicotadas",
deveria receber serviços eficientes.
O projeto de lei n° 2/20009 possui em seu bojo um viés neoliberal
e privatista visto que permite a entidades privadas firmarem contratos
de gestão com o município para a prestação
de serviços públicos fundamentais à vida do cidadão,
substituindo o ente público em uma de suas funções
mais primordiais, além de representar real e efetiva possibilidade
de precarização de um atendimento público voltado
ao bem-estar população.
É sempre bom lembrar que, ainda hoje, os profissionais da maior
rede de ensino da América Latina, não contam com um Plano
de Cargos e Salários que corrija injustiças históricas
cometidas, através de décadas, contra a categoria. Ao invés
de discutir a implementação de um PCS, a atual secretária
de Educação adotou o pagamento de gratificações
e bônus a partir de resultados individuais de cada escola, uma política
que não aponta para a valorização dos profissionais
de ensino nem para a construção de uma escola pública
democrática e de qualidade.
Além disso, utilizando-se dos serviços da Fundação
Ayrton Senna para avaliar a situação escolar dos alunos
da rede municipal, a SME feriu um preceito constitucional que é
o da autonomia das escolas. Nesse momento, diretores de escola viraram
meros organizadores de estatísticas administrativas, anulando sua
função pedagógica e os professores perderam o protagonismo
do processo educacional.
Eliomar Coelho, vereador PSOL-RJ
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