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Santa Teresa e Chico cobram da Prefeitura

 

Rio, 15 de março de 2009.

Caro Prefeito Eduardo Paes:

Bem-vindo! Você sabe que Santa Teresa, para nós que aqui vivemos, é mais que um "polo turístico". Também não aceitamos essa classificação segregacionista de "bairro ´cercado` de favelas". Somos uma comunidade histórica do Centro do Rio, com peculiaridades maravilhosas do ponto de vista geográfico, arquitetônico, paisagístico e, sobretudo, humano. Santa Teresa, com seus pouquíssimos ricos, sua classe média e seus muitos pobres, é um retrato do Rio e do Brasil, com nossas enormes contradições sociais. Turista, em qualquer lugar do mundo, só curte aquilo que tem humanidade e fisionomia própria, local, regional, nacional. Humanidade Santa Teresa tem, cidadania ativa também.

Mas estamos todos machucados. Assim como nossos bondinhos, sucateados, abandonados, apequenados - para que a "solução" financista da privatização torne-se a única -, nosso queridíssimo bairro, onde todos nos cumprimentamos e quase todos nos conhecemos, está abandonado pela administração pública. Não queremos favores nem privilégios e sim fruição de direitos. Da lista enorme de incúrias e agressões que a omissão dos Poderes Públicos produziu, relaciono, como morador que exerce também uma função de representação, algumas urgências em providências:

- muitas áreas de escuridão, com pontos de luz pública queimados em quase todas as ruas do bairro e nas comunidades pobres;
- paralelepípedos soltando ou mal colocados - precariedade de integração com os serviços da Cedae;
- transportes coletivos inexistentes depois das 22 horas;
- limpeza urbana falha em certos pontos, principalmente em áreas faveladas ou de acesso a elas;
- insegurança crescente, com sequência de assaltos a casas, apartamentos e estabelecimentos comerciais e resultados pouco efetivos, até agora, no seu combate;
- imposição de "tarifas" para quem estaciona carro nas principais ruas do bairro, em dias de mais movimento, às vezes sob ameaças de retaliações para quem não "colaborar" nos valores previamente estipulados;
- indefinição do papel da Guarda Municipal, desprovida de orientação mais efetiva para garantir os espaços públicos e urbanidade;
- precariedade, até o momento, quanto a um canal permanente e ágil de diálogo da população - através de sua Associação (AMAST) ou do reclamo direto do cidadão - com os diferentes órgãos da Prefeitura.

Certo de sua disposição para superarmos esse quadro caótico de abandono, e cientes de que nossa melhor contribuição é apontar os problemas e sugerir soluções,

tenciosamente,

Chico Alencar


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Pelo fim do abandono de Santa Teresa

Em encontro com o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes no domingo, dia15, nas ruas de Santa Teresa, Chico Alencar, morador do bairro, entregou uma carta com pontos a serem tratados pela administração municipal. Abordam questões como segurança pública, turismo, transportes e limpeza urbana. Chico lembrou que o bairro tem uma "cidadania ativa", porém, disse, estão "todos machucados". Afirmou que os moradores não buscam privilégios, mas o reconhecimento dos direitos.

Chico listou os itens considerados emergenciais. São os seguintes: fim das muitas áreas de escuridão, com pontos de luz pública queimados em quase todas as ruas do bairro e nas comunidades pobres; o calçamento deficiente, com paralelepípedos soltando ou mal colocados, assim como a precariedade de integração com os serviços da Cedae; a inexistência de transportes coletivos depois das 22 horas; a limpeza urbana falha em certos pontos, principalmente em áreas faveladas ou de acesso a elas; a insegurança crescente, com sequência de assaltos a casas, apartamentos e estabelecimentos comerciais, com resultados pouco efetivos, até agora, no seu combate; a imposição de "tarifas" para quem estaciona carro nas principais ruas do bairro, em dias de mais movimento, às vezes sob ameaças de retaliações para quem não "colaborar" nos valores previamente estipulados; a indefinição do papel da Guarda Municipal, desprovida de orientação mais efetiva para garantir os espaços públicos e urbanidade; e a precariedade, até o momento, quanto a um canal permanente e ágil de diálogo da população - por meio de sua Associação (AMAST) ou do reclamo direto do cidadão - com os diferentes órgãos da prefeitura.

O deputado lembra na carta entregue ao prefeito que Santa Teresa, para seus moradores, é mais que um "pólo turístico": "Somos uma comunidade histórica do Centro do Rio, com peculiaridades maravilhosas do ponto de vista geográfico, arquitetônico, paisagístico e, sobretudo, humano." O deputado rejeita a "classificação segregacionista" de "bairro ´cercado` de favelas". Segundo diz, Santa Teresa, "com seus pouquíssimos ricos, sua classe média e seus muitos pobres, é um retrato do Rio e do Brasil, com nossas enormes contradições sociais."

Ele afirma que o atual estado de abandono do bairro é fruto "de incúrias e agressões que a omissão dos poderes públicos produziu" e destaca que o interesse turístico que o bairro desperta é fruto de sua humanidade e fisionomia própria, local, regional, nacional. "Mas estamos todos machucados. Assim como nossos bondinhos, sucateados, abandonados, apequenados - para que a "solução" financista da privatização torne-se a única -, nosso queridíssimo bairro, onde todos nos cumprimentamos e quase todos nos conhecemos, está abandonado pela administração pública.".

   
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