O plenário da Câmara aprovou em primeiro turno novas
regras para pagamento de precatórios (dívidas decorrentes
de decisões judiciais) com facilidades para estados e municípios.
Para Chico "a proposta está na ótica dos governantes,
e não da cidadania. Vai piorar o já difícil
recebimento dos precatórios por parte da população.
A proposta legitima calotes." É estimado um estoque
de R$ 100 bilhões em precatórios nos dois níveis
de governos.
Durante a votação Chico ponderou a necessidade de
discutir mais a matéria, lembrando que cada credor já
teve que enfrentar uma tremenda demanda judicial e enfrentar também
essa fila. Afirmou que a tradição não é
garantir os recursos devidos aos pequenos: "o Estado brasileiro,
mesmo as prefeituras, tradicionalmente, estão muito mais
vinculadas aos interesses dos poderosos e dos maiores, e não
dos pequeninos. Quem sofre, também, com o não pagamento
de precatório devido é o cidadão comum, é
aquele pequeno, é aquele que quer a garantia do seu direito.",
afirmou
A preocupação de Chico, disse, é com o equilíbrio
do ente federativo, da administração e os direitos
da cidadania, que, para ele, parecem não estar sendo tão
assegurados quanto se propala. Lembrou que a questão não
é uma demanda real, forte da sociedade; "é algo
que tem um viés muito administrativista.Repetimos: não
estamos convencidos do contrário, pelo menos até o
momento, em detrimento do direito da cidadania. Que aqueles que
especulam, que aqueles que têm grandes bancas de advocacia
sejam enfrentados com o rigor da lei."
O placar registrou 328 votos a favor, 76 contrários e 4
abstenções. O PSC e o PSOL foram contra a aprovação
da emenda. O projeto terá de ser submetido ao segundo turno
e, depois, seguirá para votação no Senado,
porque o texto foi alterado pelos deputados.
A PEC estabelece que pelo menos 50% dos recursos, reservados aos
precatórios, serão destinados ao pagamento em ordem
cronológica. A metade restante poderá ser paga por
meio de leilão ou de câmaras de conciliação,
onde as duas partes poderão entrar em acordo.O projeto cria
regime especial para quitação. Estados e municípios
poderão pagar as dívidas em atraso no prazo de 15
anos, calculando o valor com base em suas receitas líquidas.
O credor poderá ceder, total ou parcialmente, seus créditos
a terceiros.
Essa possibilidade, de cessão de créditos de precatórios
a terceiros, independentemente da anuência do devedor cria
preocupação, segundo Chico.
Outro aspecto é o leilão de precatórios: "Nós
já temos um certo trauma com o leilão das bacias sedimentares
de petróleo, que o PT tanto combatia e que, no Governo Lula,
continuou naquele sistema de concessão, que é muito
mais prejudicial ao país do que o sistema de partilha - falando
do petróleo. Mas aqui se estabelece também a possibilidade
do leilão de precatórios, quando os credores oferecem
deságios para receberem menos até do que têm
direito, furando essa fila. Isso é muito problemático."
Redação com informações de Denise Madueño
- Estado de São Paulo