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Em relação ao episódio na região de Xinguara
e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o MST esclarece que
os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da violência
da segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os sem-terra
não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda
nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram
feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em
protestos pela liberação de três trabalhadores rurais
detidos pelos seguranças. Os jornalistas permaneceram dentro da
sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia
Militar. Esclarecemos também que:
1- No sábado (18/4) pela manhã, 20 trabalhadores sem-terra
entraram na mata para pegar lenha e palha para reforçar os barracos
do acampamento em parte da Fazenda Espírito Santo, que estão
danificados por conta das chuvas que assolam a região. A fazenda,
que pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Banco
Opportunity, está ocupada desde fevereiro, em protesto que denuncia
que a área é devoluta. Depois de recolherem os materiais,
passou um funcionário da fazenda com um caminhão. Os sem-terra
o pararam na entrada da fazenda e falaram que precisavam buscar as palhas.
O motorista disse que poderia dar uma carona e mandou a turma subir, se
disponibilizando a levar a palha e a lenha até o acampamento.
2- O motorista avisou os seguranças da fazenda, que chegaram quando
os trabalhadores rurais estavam carregando o caminhão. Os seguranças
chegaram armados e passaram a ameaçar os sem-terra. O trabalhador
rural Djalme Ferreira Silva foi obrigado a deitar no chão, enquanto
os outros conseguiram fugir. O sem-terra foi preso, humilhado e espancado
pelos seguranças da fazenda de Daniel Dantas.
3- Os trabalhadores sem-terra que conseguiram fugir voltaram para o acampamento,
que tem 120 famílias, sem o companheiro Djalme. Avisaram os companheiros
do acampamento, que resolveram ir até o local da guarita dos seguranças
para resgatar o trabalhador rural detido. Logo depois, receberam a informação
de que o companheiro tinha sido liberado. No período em que ficou
detido, os seguranças mostraram uma lista de militantes do MST
e mandaram-no indicar onde estavam. Depois, os seguranças mandaram
uma ameaça por Djalme: vão matar todas as lideranças
do acampamento.
4- Sem a palha e a lenha, os trabalhadores sem-terra precisavam voltar
à outra parte da fazenda para pegar os materiais que já
estavam separados. Por isso, organizaram uma marcha e voltaram para retirar
a palha e lenha, para demonstrar que não iam aceitar as ameaças.
Os jornalistas, que estavam na sede da Agropecuária Santa Bárbara,
acompanharam o final da caminhada dos marchantes, que pediram para eles
ficarem à frente para não atrapalhar a marcha. Não
havia a intenção de fazer os jornalistas de "escudo
humano", até porque os trabalhadores não sabiam como
seriam recebidos pelos seguranças. Aliás, os jornalistas
que estavam no local foram levados de avião pela Agropecuária
Santa Bárbara, o que demonstra que tinham tramado uma emboscada.
5- Os trabalhadores do MST não estavam armados e levavam apenas
instrumentos de trabalho e bandeiras do movimento. Apenas um posseiro,
que vive em outro acampamento na região, estava com uma espingarda.
Quando a marcha chegou à guarita dos seguranças, os trabalhadores
sem-terra foram recebidos a bala e saíram correndo - como mostram
as imagens veiculadas pela TV Globo. Não houve um tiroteio, mas
uma tentativa de massacre dos sem-terra pelos seguranças da Agropecuária
Santa Bárbara.
6- Nove trabalhadores rurais ficaram feridos pelos seguranças
da Agropecuária Santa Bárbara. O sem-terra Valdecir Nunes
Castro, conhecido como Índio, está em estado grave. Ele
levou quatro tiros, no estômago, pulmão, intestino e tem
uma bala alojada no coração. Depois de atirar contra os
sem-terra, os seguranças fizeram três reféns. Foram
presos José Leal da Luz, Jerônimo Ribeiro e Índio.
7- Sem ter informações dos três companheiros que
estavam sob o poder dos seguranças, os trabalhadores acampados
informaram a Polícia Militar.. Em torno das 19h30, os acampados
fecharam a rodovia PA-150, na frente do acampamento, em protesto pela
liberação dos três companheiros que foram feitos reféns.
Repetimos: nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns
pelos acampados, mas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria.
Os sem-terra apenas fecharam a rodovia em protesto pela liberação
dos três trabalhadores rurais feridos, como sustenta a Polícia
Militar.
MOVIMENTOS DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA - PARÁ
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