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Truculência não intimida ato do PSOL pela saída de Sarney
 

Uma manifestação pacífica, organizada pelo PSOL, para cobrar a saída de José Sarney da presidência do Senado terminou em agressões por parte da Polícia Militar e Legislativa e duas prisões de militantes do partido nesta quarta-feira, dia 12. A violência atingiu inclusive os deputados Chico Alencar e Ivan Valente, quando iam tentar a mediação do conflito. A segurança terceirizada do Senado impediu o trânsito de ambos chegando a agarrar Chico pelo pescoço. Rodrigo Pereira, funcionário da Liderança na Câmara, e Isaac da Silva, do gabinete de Chico foram detidos pela Polícia Legislativa quando entravam no prédio da Câmara dos Deputados. O argumento dos seguranças foi que eles estavam participando do ato Fora Sarney.

A detenção dos dois ocorreu depois de encerrada a manifestação. Eles foram colocados dentro do camburão da polícia e levados para a unidade da polícia no Senado. Um deles chegou a ser algemado e só foram liberados com a chegada e interferência dos parlamentares. Chico fez pronunciamento em protesto contra o despreparo dos seguranças terceirizados: "Devo testemunhar que a segurança da Câmara quando chegou, procurou de maneira serena e elevada mediar essa situação, que afinal acabou com a garantia da liberdade de manifestação. Mas essa segurança terceirizada, particular do Senado é muito despreparada. Eles precisam ser melhor orientados, ou melhor, o bom é que não exista a terceirização em alguns setores, porque não entendem inclusive o papel de um Parlamentar."
Chico afirma que Isaac e Rodrigo foram presos de forma arbitrária, por pura retaliação e levados para uma sala de interrogatório no porão do Senado. "Fomos lá e eles foram, então, imediatamente liberados, mas sofreram humilhações. Polícia e algema para quem precisa! Os criminosos estão bem ali - "de gravata e capital, e nunca se dão mal".

Ivan Valente, líder do PSOL, criticou a atitude das polícias e afirmou que a atuação é de responsabilidade do Senado. "A manifestação deveria acontecer dentro do Senado, mas impediram de entrar. Foi feita do lado de fora e duramente reprimida. Os militantes foram duramente agredidos. Repudiamos esse tipo de atitude".
Para Chico Alencar, há uma indignação enorme da sociedade brasileira diante das denúncias envolvendo o senador José Sarney e contra sua permanência na presidência do Senado. "O direito à manifestação é livre. Fui socorrer os manifestantes e recebi um caloroso abraço de um dos seguranças. Há um excesso de zelo ao patrimônio, mas não há o mesmo zelo em relação à postura ética".

Com uma faixa "Fora Sarney e todos os corruptos", os manifestantes subiram na marquise das cúpulas do Congresso e cantaram palavras de ordem, cobrando a renúncia de Sarney e a apuração das denúncias. Os militantes foram retirados da marquise e os seguranças confiscaram a faixa, que depois só foi devolvida com a interferência de Valente, Chico Alencar e do Senador do PSOL José Nery (PA).

Segundo o presidente do partido no Distrito Federal, Antônio Carlos de Andrade, o Toninho, os policiais chegaram com cacetetes em punho e aparelhos de choque contra os manifestantes, sem qualquer forma de diálogo. "Uma polícia sem preparo que agiu com truculência e violência", disse Toninho, que também foi atingido na mão por um golpe de cacetete. Ele afirmou que vai registrar queixa na Polícia Legislativa e na Civil do DF. "Pode-se roubar no Senado e não se pode manifestar", disse, indignado.

Redação com Antônio Índio e Mariane Andrade

   
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