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O ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM), em nota de seis
linhas no seu ex-blog (9/3), com seu atual grande tempo livre e o velho
estilo ferino, questionou o pagamento de serviços prestados ao
nosso mandato pela EcoSocial Consultoria Sócio-agrário-ambiental
Ltda., que tem no advogado, mestre em Direito Público e professor
de Direito Ambiental João Alfredo Telles Melo seu grande nome.
,
Esclareço:
1. O ex-prefeito reconhece que obteve essas informações
no próprio site do nosso mandato, que desde o ano passado, pioneiramente
- como apenas quatro outros deputados, e nenhum do DEM! - detalha os gastos
com a indenizatória: transparência é para quem nada
tem a ocultar;
2. A verba indenizatória destina-se, entre outras finalidades,
a ressarcir consultorias, que qualificam os mandatos nos campos de atuação
onde são mais demandados;
3. A EcoSocial, devidamente registrada e apta, visa "a prestação
de serviços de consultoria jurídico-político-legislativa
(...) em questões agrárias, sócio-ambientais e de
direitos humanos";
4. João Alfredo tem reconhecido saber nestas áreas, não
exercia mandato público neste período nem estava cassado
de seus direitos de cidadão trabalhador, profissionalmente habilitado.
Aliás, também prestou assessoria para o Greenpeace, o que
revela a excelência de sua especialização;
5. Nosso mandato e a sociedade brasileira agregaram valor com sua consultoria
efetiva e absolutamente legal, traduzida, para além da presença
regular em Brasília, em elaboração de pareceres e
análises de iniciativas do Executivo, sugestões de projetos
de lei, emendas e requerimentos de informação, pronunciamentos,
acompanhamento da tramitação de matérias, seminários
e audiências públicas, todas envolvendo as gravíssimas
questões ambientais, fundiárias e de Direitos Humanos;
6. João Alfredo, como qualquer cidadão, tinha o direito
de candidatar-se no pleito municipal de 2008, e sua postulação
- em campanha austera e propositiva - foi referendada pela população
de Fortaleza, que o tornou o vereador mais votado da cidade; no período
pré-eleitoral e depois de sua posse os seus serviços de
consultoria foram suspensos.
Esclarecimento feito, ficam duas indagações: a quem interessa
criar uma cortina de fumaça para se desviar o foco das fraudes,
da corrupção que subtrai milhões e do uso de recursos
públicos em benefício pessoal, procedimentos que perigosamente
vão sendo banalizados na vida nacional? Em sua nova armadura de
cruzado moralista, por que Cesar não questionou em seu ex-blog
a decisão recente de seu colega de partido, Efraim Morais (DEM/PB),
que pagou R$ 8 milhões em "horas extras" para servidores
do Senado, supostamente "trabalhadas" durante o recesso parlamentar?
O factóide só serviu para alimentar, objetivamente, três
fortes tendências no Congresso Nacional: 1) a de limitar a transparência
quanto ao uso dos recursos dispendidos por cada parlamentar (a fonte do
ex-prefeito fomos nós mesmos, pois nada temos a esconder, mas vários
colegas de representação criticaram a nossa "ingenuidade");
2) a de incorporar a verba indenizatória ao salário nominal
dos congressistas, que seriam, assim, elevados em 60%; 3) a de inibir
o combate a procedimentos corrompidos na nossa vida política, já
que estariam todos colocados na "vala comum" da falta de espírito
público. O PSOL não se calará! Não passarão!
Chico Alencar, deputado federal (PSOL/RJ)
Esta nota foi encaminhada sob a forma de ofício para o presidente
da Câmara dos Deputados, Michel Temer, e para a Corregedoria da
Casa.
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