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O líder do PSOL, deputado Ivan Valente, o deputado
Chico Alencar e o senador José Nery entregaram ao senador Jarbas
Vasconcelos carta em que pedem ao senador do PMDB que aponte os indícios
da degradação e de corrupção nos partidos
políticos. Para o PSOL, as declarações de Vasconcelos
são muito graves e não se pode ignorá-las.
Para Valente, se o senador apontasse claramente os fatos
e nomes envolvidos em atos de corrupção, permitiria até
o acionamento do Ministério Público ou abertura de uma CPI
no Congresso Nacional. Na opinião do líder do PSOL haverá
pressão da opinião pública nesse sentido. O deputado
esclareceu que o partido foi prestar apoio ao senador Vasconcelos e que
uma consequência imediata deste encontro é a criação
do Fórum Permanente pela Ética na Política, com participação
de políticos, entidades e sociedade civil. "O PMDB tem interesse
de baixar a poeira sobre o assunto e não quer polemizar com o próprio
Vasconcelos", afirmou.
De acordo com o deputado Chico Alencar, as declarações de
Jarbas Vasconcelos representam um "grito de alerta", para o
qual a sociedade deve ficar atenta. "O PSOL já está
atento. As denúncias são gravíssimas e nebulosas.
Por isso precisamos aprofundá-las e definir caminhos", concluiu.
O senador José Nery salientou que o Fórum
se constituirá num processo de construção com outros
setores num combate à corrupção sistêmica.
Segue abaixo a íntegra da carta entregue ao senador Jarbas Vasconcelos.
Carta ao Senador Jarbas Vasconcelos
Brasília, DF, 17/02/09
Prezado Senador:
"A corrupção está impregnada em todos os partidos",
afirmou V. Exa. na entrevista à revista Veja, de 14/2/09. O Partido
Socialismo e Liberdade (PSOL), há três anos e cinco meses
com seu registro legal, é uma das agremiações que
compõem o leque partidário brasileiro. Buscamos nos construir
com princípios programáticos, éticos e base militante,
atentos a qualquer desvio, para extirpá-lo na raiz. Uma das marcas
partidárias neste breve tempo de existência tem sido a luta
intransigente contra a corrupção em nosso país.
Manifestamos plena concordância com a denúncia quanto às
crescentes práticas políticas fisiológicas e corrompidas,
fundadas na ocupação de cargos para enriquecimento patrimonial
e/ou prestígio político, viciando licitações,
"pagando" financiamentos de campanha e desviando recursos públicos,
além da corriqueira demagogia na captação do sufrágio.
Todas estas mazelas marcam profundamente nossa democracia formal.
Os graves problemas do seu partido, similares ao de outros igualmente
grandes, acometidos de "nanismo moral", derivam de um sistema
político calcado no patrimonialismo e no elitismo. Só uma
reforma política radical reduzirá estas distorções
criminosas.
O combate à corrupção sistêmica, porém,
tem que ser pontual: a cada caso concreto, a denúncia, a punição
aos responsáveis e o ressarcimento aos cofres públicos do
que foi subtraído.
Para serem conseqüentes, suas denúncias devem vir acompanhadas
do detalhamento de situações, nomes e fatos que gerem iniciativas
aguardadas por toda a sociedade, em nome do interesse público.
Esta seria uma saudável providência para que os fatos por
vossa Excelência relatados não caiam no esquecimento e possam
ser devidamente apurados. Seria, sem sombra de dúvida, uma enorme
contribuição à moralização da vida
pública brasileira.
Estamos alinhados no combate efetivo aos muitos focos de corrupção
que contaminam a República. Aliás, o PSOL jamais se furtou
a exigir apurações - no mais das vezes engavetadas - quanto
a casos concretos, como os "mensalões" petista e tucano,
o escândalo sanguessuga e outros, envolvendo altas figuras também
do seu partido, como o Senador Renan Calheiros.
É urgente a construção, aqui no Congresso Nacional
e junto a outras entidades da sociedade, de um Fórum Permanente
pela Ética na Política.
Atenciosamente,
Ivan Valente - Líder da Bancada do PSOL na CD; Chico
Alencar - Vice-Líder
Luciana Genro - deputada ; José Nery - senador
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