"O nosso temor é que haja, na verdade, em nome de
uma justa regulamentação de um ofício importante
no País, um retrocesso em termos da visão da multidisciplinaridade,
da partilha da informação, da visão da doença,
sobretudo como promoção da saúde, que leva
em consideração a situação do enfermo,
a sua situação social, psicológica, a sua situação
de vida", argumentou o deputado Chico Alencar. Para ele, o
debate sobre o tema deveria ser maior já que altera e limita
diagnósticos e procedimentos da área de saúde,
não só para os médicos, mas nutricionistas,
fisioterapeutas, enfermeiros, entras profissões do setor.
"Deveria-se evitar alguns perigos, como o corporativismo, exclusividade
e tutela".
O deputado Ivan Valente lamentou a disputa corporativa e afirmou
que existe, no projeto, uma verticalização, que pode
ocasionar reserva de mercado e ações interprofissionais
na Justiça. "Em defesa do Sistema Único de Saúde,
em defesa da complementariedade, da corresponsabilidade, do multiprofissionalismo,
da integração entre as 13 áreas de saúde
contra uma visão vertical de ação na saúde,
o PSOL entende que este projeto é um retrocesso na interdisciplinaridade
e que avança na competência de outras profissões
que trabalham, inclusive, em conjunto com os médicos",
declarou.
O Projeto de Lei 7703 define atividade privativas de médico
e as que podem ser realizadas por outros profissionais da área
de saúde. A proposta determina que somente os médicos
poderão escrever diagnósticos e prescrever tratamento,
por exemplo. Os profissionais de psicologia, odontologia e nutrição,
dentre outras especialidades, não estão incluídas
no texto e, portanto, continuam mantendo suas competências
específicas.
Também foi votado o Projeto de Lei 3971/2008, que exige nível
superior, com licenciatura, dos professores que atuarão na
educação básica (educação infantil
e ensinos fundamental e médio). O deputado Ivan Valente disse
que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação já
previa o nível superior há mais de 10 anos e destacou
que a educação infantil ficou fora desse requisito.
"Temos que o Estado brasileiro crie condições
para oferecer ensino público gratuito superior - o curso
de pedagogia - a todos os professores", afirmou.
Foram aprovados também:
Medida Provisória 464/2009, que autoriza a União a
participar com até R$ 4 bilhões de fundos de garantia
contra riscos de inadimplência dos empréstimos feitos
por bancos a micro e pequenas empresas. A matéria, que votou
do Senado com nove emendas, será enviada à sanção
presidencial.
Medida Provisória 468/2009, que transfere para a Caixa Econômica
Federal todos os depósitos judiciais e extrajudiciais de
tributos federais existentes em outros bancos. A Caixa deverá
repassar os valores à conta única do Tesouro Nacional
no prazo máximo de 180 dias. O texto deve ser votado ainda
pelo Senado.
Projeto de Lei 1746/2007, que cria 2,8 mil cargos de professor universitário,
5 mil cargos técnicos, 180 cargos de direção
e 420 funções gratificadas, todos vinculados ao Ministério
da Educação e para lotação em universidades
federais. A iniciativa faz parte do Programa de Apoio ao Plano de
Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (Reuni), que tem como meta a abertura de 300 mil vagas
no sistema federal de ensino superior. A matéria será
votada pelo Senado.
Com informações da Agência Câmara.