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O parlamentar Marcelo Freixo e seu assessor Vinícius
George estão em risco de sofrer um atentado contra suas vidas por
grupos milicianos do Rio de Janeiro. Planos foram descobertos pela polícia
em uma busca e apreensão de milícias em maio. Parte de uma
investigação de longo prazo contra membros de grupos de
milícias que tomaram o controle de mais de cem territórios
pobres do Rio de Janeiro, a busca também encontrou cartas do chefe
da milícia de Rio das Pedras - um bairro na Zona Oeste da cidade
-, um sargento antigo da polícia militar, solicitando suporte de
outro grupo miliciano para assassinar a dupla.
Ao final da operação, não foram feitos esforços
para deter o chefe da milícia de Rio das Pedras que enviou o pedido
para assassinar Marcelo Freixo e Vinícius George. Ainda que os
dois estejam sendo providos de alguma proteção, a Anistia
Internacional considera que é fundamental o imediato reforço
da mesma, em conformidade com o desejo de ambos.
Marcelo Freixo e Vinícius George começaram a receber ameaças
de morte em Junho de 2008 quando foi instalada a CPI para investigar a
expansão das milícias no Rio de Janeiro, da qual Freixo
foi presidente.
A CPI foi formada por parlamentares e investigou o padrão de envolvimento
de governos estaduais nas atividades ilegais das milícias antes
de apresentar seu relatório final, submetido ao parlamento do estado
e ao Ministério Público para potenciais processos penais.
Há preocupação, no entanto, que as recomendações
feitas pelo relatório final da CPI não tenham sido plenamente
implementadas pelas autoridades municipais, estaduais e federais, especialmente
aquelas destinadas à criminalização e repressão
das atividades de que financiam os grupos. Isto significou a continuidade
de expansão das milícias apesar da detenção
de alguns de seus membros-chave.
Informações Importantes
As milícias são compostas por policiais, agentes prisionais
e bombeiros afastados que expulsaram traficantes de drogas das favelas
alegando oferecer segurança. No entanto, efetivamente controlam
comunidades através da violência, extorquindo dinheiro para
provisão de segurança bem como serviços de gás,
transporte, TV a cabo entre outros. Eles são acusados de empunhar
o poder político, garantindo, através de intimidação,
votos a certos parlamentares. Embora existam no Rio de Janeiro há
algum tempo, a súbita expansão das milícias remonta
a dezembro de 2006, quando mais de 100 favelas foram dominadas por grupos
milicianos.
As tentativas de investigar e denunciar o papel das milícias no
Rio de Janeiro encontrou ameaças e violência, incluindo o
rapto e tortura de 3 jornalistas do jornal O Dia, acompanhados de um morador
em maio de 2008 e o bombardeio de uma delegacia em Julho.
O crescimento dos grupos milicianos pode ser atribuído há
décadas de uma política de segurança publica baseada
na negligência, violação de direitos humanos e impunidade
de autores, permitindo que policiais criminosos e corruptos prosperem
à custa daqueles que trabalham incansavelmente para servir à
comunidade.
De acordo com recentes relatórios de jornais que citam a frouxa
segurança e os privilégios usufruídos por policiais
mantidos em detenção no "Batalhão Especial Prisional",
unidade prisional especial em que agentes policiais são detidos,
acentua-se ainda mais a preocupação com a segurança
dos dois homens. O relatório das investigações policiais
descobriu casos de autorização para saída de agentes
para ameaçar ou matar testemunhas. Investigações
policiais apontaram a prisão como "um terreno de recrutamento
para assassinos". Diversos membros das milícias se encontram
detidos nessa unidade.
Recomendações:
Envie apelos o mais rapidamente possível, em Português ou
a sua própria língua:
- Assegurando que para Marcelo Freixo e Vinicius George, ambos dedicados
ao enfrentamento às atividades das milícias, seja fornecida
uma proteção eficaz em conformidade com os seus desejos;
- Instando as autoridades a realizar rapidamente uma investigação
independente e imparcial de todas as ameaças contra Marcelo Freixo
e Vinicius George; e que os responsáveis sejam levados à
justiça;
- Instando as autoridades a denunciar publicamente as atividades das
milícias e a definir um plano conjunto, com um cronograma claro,
para implementar todas as recomendações da CPI para combater
a propagação das milícias e do crime organizado;
- Solicitando que sejam dados passos eficazes para trazer à justiça
os líderes e os membros das milícias;
- Instando as autoridades a tomar medidas imediatas para investigar o
Batalhão Especial Prisional, e que as autoridades envolvidas nas
atividades criminosas sejam levadas à justiça.
Mensagens para:
Ministro da Justiça
Exmo. Ministro da Justiça do Brasil
Sr. Tarso Fernando Herz Genro
Ministério da Justiça
Esplanada dos Ministérios,
Bloco "T"
70.712-902 - Brasília/DF, Brazil
Fax: + 55 61 3322 6817
Saudação: Vossa Excelência
Governo do Estado do Rio de Janeiro
Exmo. Governador
Sr. Sérgio de Oliveira Cabral Santos Filho
Palácio Guanabara,
Rua Pinheiro Machado, s/nº - Laranjeiras
22.231-090 - Rio de Janeiro/RJ, Brazil
Fax: +55 21 2299 5691
Saudação: Exmo. Governador
Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro
Exmo Sr Procurador-Geral de Justiça
Dr. Cláudio Soares Lopes
Av Marechal Câmara, 370, 8º andar - Centro
20.020-080 - Rio de Janeiro/RJ - Brazil
Fax: +55 21 2550-9054
Saudação: Exmo Sr Procurador
Cópias para:
Deputado Estadual Marcelo Freixo
Sr. Marcelo Freixo
Rua Dom Manoel, s/nº,
Ed. 23 de Julho - Centro
20.010-090 - Rio de Janeiro/RJ, Brazil
E para os representantes da Diplomacia Brasileira em seu país.
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