|
Cerca de 50 feridos e três pessoas detidas. Esse
é o saldo - até agora computado - deixado pela violenta
reação da Polícia Militar do Rio de Janeiro e da
Guarda Municipal, durante uma manifestação pacífica,
por volta de meio dia, nesta quinta, 18, na Avenida Rio Branco, em protesto
contra a 10ª Rodada de Licitação do Petróleo.
Depois de receberem uma ordem de despejo, ontem à noite (17) para
desocupar o Edifício Sede da Petrobrás, no Rio, os manifestantes
- cerca de 500 pessoas - dirigiram-se para a Candelária, que fica
perto da Agência Nacional do Petróleo (ANP), responsável
pela realização dos leilões das áreas petrolíferas.
Em seguida, a manifestação prosseguiu pela Avenida Rio Branco,
em direção à Cinelândia.
A violenta reação da Polícia Militar e da Guarda
Municipal surpreendeu os manifestantes que foram espancados durante toda
a caminhada pela Avenida Rio Branco. Até agora os organizadores
da manifestação, convocada pelo Fórum Nacional contra
a Privatização do Petróleo e Gás, que reúne
dezenas de entidades, confirmam a detenção de três
pessoas: Emanuel Cancella, coordenador do Sindicato dos Petroleiros do
Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ); Gualberto Tinoco (Piteu), da Coordenação
Nacional de Lutas (Conlutas): Thaigo Lúcio Costa, estudante de
jornalismo da Universidade de Santa Cecília, de Santos. Dentre
os feridos, está hospitalizado, com um corte na cabeça,
no Souza Aguiar, o diretor do Sindipetro-RJ Eduardo Henrique Soares da
Costa. Um militante do MST quebrou o braço, ao ser espancado pela
PM. As entidades que compõem o Fórum ainda estão
fazendo o levantamento do número de feridos e estão tentando
localizá-los. Muitos ainda não foram encontrados.
Desde a ordem de despejo, vinda da presidência da Petrobrás,
ontem à noite, os manifestantes sentiram a animosidade das forças
de repressão, mas não esperavam ação tão
agressiva, contra uma simples manifestação de protesto.
Um dos detidos, o coordenador do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, declarou:
"Nós acabamos de viver um momento que remonta à sombria
época da ditadura militar. O Capitão Moreira me deu ordem
de prisão, mesmo eu dizendo que era advogado. Ele bateu muito em
mim. Algemou o Pitel e o estudante e os policiais feriram gravemente nosso
companheiro Eduardo Henrique". Emanuel Cancella está com um
braço fraturado e costelas. Por de 14 horas estava concluindo o
seu depoimento na 1ª DP, na Rua Relação, 42. Logo seria
encaminhado para exame de corpo delito. A partir das 14h30, a Rádio
Petroleira transmitirá flashes ao vivo.
Participavam da manifestação no Rio, parte de uma jornada
de Lutas pela suspensão do leilão do petróleo, iniciada
desde o dia 14 - no dia 15, houve a ocupação do Ministério
das Minas e Energia, em Brasília, pela Via Campesina e petroleiros
- representantes de dezenas de entidades que compõem o Fórum,
dentre as quais: Sindipetro-RJ, Sindipetro-Litoral Paulista, MST (Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra) , MTD (Movimento dos Trabalhadores Desempregados),
FIST (Federação Internacionalista dos Sem Teto), FOE (Frente
de Oposição de Esquerda da União Nacional dos Estudantes),
as centrais sindicais Conlutas, Intersindical e CUT, a Federação
Única dos Petroleiros (FUP), a Frente Nacional dos Petroleiros
(FNP), o Centro Estudantil de Santos, movimentos de estudantes secundaristas
do Rio de Janeiro. A campanha "O Petróleo Tem que ser nosso"
continua.
|