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Brasília-DF, 3 de junho de 2008.
Of. No. 69/2008-CD/GAB 848
Ao Exmo. Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro
Sr. Desembargador Roberto Wider
Assunto: Milícias paramilitares no Estado do Rio de Janeiro
Exmo. Sr. Presidente:
O Jornal O Dia, em 1º de junho, publicou longa matéria intitulada
"Política do Terror", onde relata os mecanismos adotados
pela milícia que domina a Favela do Batan, em Realengo, Zona Oeste
do município do Rio de Janeiro. Ali, como em dezenas de outras
comunidades pobres dominadas pelo despotismo, os eleitores são
transformados em moeda de troca junto aos candidatos que disputarão
as próximas eleições. Segundo a matéria,
"O coronelismo bateu continência às milícias.
E abriu uma nova frente na disputa pelas eleições deste
ano: o arrendamento dos currais eleitorais da Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Agora, a ordem dos agentes paramilitares é oferecer o 'pacote'
de eleitores das regiões que 'administram' a vários políticos
e levar os votos a quem oferecer mais dinheiro. Para provar que não
vendem gato por lebre, na Favela do Batan, em Realengo, os milicianos
recrutam moradores para fazer o censo da comunidade. (...) Querem ter
em mãos quem é eleitor por lá, quantos são
e o número do título para apresentar aos políticos
interessados. Quem comprar o 'apoio' leva a certeza de que nenhum outro
candidato vai colocar seus pés na favela e muito menos esticar
faixas ou pregar galhardetes".
E continua:
"A milícia que domina a Favela do Batan faz planos de ver
o censo apontar que a comunidade tem 50 mil pessoas. Aumenta o cacife
e o preço dos votos. E alguns nomes de políticos da Zona
Oeste já são cogitados como possíveis interessados
em fechar a 0"parceria" com os milicianos. Um deles já
mantém até um cabo eleitoral no bairro.
(...) Os milicianos explicaram que 20 pessoas estão realizando
trabalho. Quando a inscrição começou, 14 moradores
assinavam a lista de 'emprego'. A promessa era de que cada um dos recenseados
receberia uma cesta básica e R$ 10 por semana. (...)"
Diante da gravidade dessas denúncias, solicito que este Tribunal
reforce a fiscalização nas 78 comunidades controladas por
esse "poder" espúrio, para que a prática dos currais
eleitorais, a "reserva de votos" tão criminosa quanto
conhecida, seja vedada ou ao menos efetivamente combatida. Os mapas eleitorais
do pleito de 2006, por sinal, dão indícios de que candidatos
e partidos tiveram inserção exclusiva nesses redutos.
Transformar em mercadoria uma conquista histórica da sociedade
brasileira, o voto livre no Estado de Direito Democrático, é
crime. Que prosperará com a omissão das autoridades e de
todos nós.
Atenciosamente,
CHICO ALENCAR
DEPUTADO FEDERAL/ PSOL-RJ
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