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O deputado estadual pelo Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (PSOL), apresentou
nesta quarta-feira, 17, na Câmara dos Deputados, o relatório
da Comissão Parlamentar de Inquérito das Milícias,
realizada pela Assembléia Legislativa do Estado.
O documento indicia 225 pessoas, entre elas vereadores do RJ, e traz um
conjunto de propostas para combater as milícias na cidade. Acompanhado
dos parlamentares do PSOL, deputada Luciana Genro (RS), deputados Ivan
Valente (SP) e Chico Alencar (RJ), do deputado Fernando Gabeira e do vereador
eleito por Fortaleza, João Alfredo, Freixo entregou o relatório
ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, ao presidente da Comissão
de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, Raul
Jungmann, ao secretário Nacional de Segurança Pública
do Ministério da Justiça, Ricardo Balestreri, e ao secretário
Especial de Direitos Humanos da Presidência da República,
Paulo Vannuchi.
Ameaçado de morte por causa das investigações da
CPI, que durou cinco meses, Freixo anda protegido por seguranças
24 horas por dia. "Sabíamos que era um vespeiro. Mas a CPI
representa uma reação do poder legislativo ao cenário
imposto pelas milícias", disse Freixo. Durante as investigações,
foi criado um disque-milícia, pelo qual a Comissão recebeu
mais de 1.300 denúncias de atuação de milícias
no Rio de Janeiro.
Além do indiciamento de 225 pessoas, o relatório apresenta
1.113 suspeitos de envolvimento e recomenda a cassação de
vereadores, entre eles Jerônimo Guimarães (PMDB), Carminha
Jerominho (PTdoB), Nadinho (DEM), Geiso Turques (PDT), Cristiano Girão
(PMN) e André Ferreira ("Deco" do PR). "É
um curral eleitoral movido pelo terror; é uma ameaça concreta
à ação do Estado", afirmou Freixo. Entre as
propostas apresentadas no relatório, Freixo propõe que as
milícias sejam consideradas como grupos armados para prática
de diversas extorsões e exploração irregular de serviços
públicos, controlados por integrantes das instituições
de segurança pública e/ou das Forças Armadas, para
fins econômicos escusos. Segundo ele, em 65% das áreas miliciadas
ocorre o tráfico de drogas.
Os parlamentares propuseram a criação de um Fórum
Democrático de Segurança no Rio de Janeiro com participação
de vários segmentos da sociedade. Para os deputados, a questão
das milícias não deve findar com a conclusão dos
trabalhos da CPI, mas deve ser ampliada e tratada em âmbito nacional,
e não somente no Rio, onde a atuação desses grupos
é mais aparente. Marcelo Freixo informou ainda que a Ordem dos
Advogados do Brasil do RJ abrirá uma ouvidoria para tratar do assunto.
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