|
Promessa de veto à candidatura "ficha-suja" pode elevar
frustração do eleitor
Se os partidos alegam que não "conseguem" dar à
Justiça todas as informações - o que é uma
falácia -, como podem prometer ao eleitorado que farão suas
triagens? Não podem, inclusive porque as chapas estão formadas,
já foram aceitas pelas respectivas legendas.
Alguém acredita em processos de expurgo a esta altura? Não
apenas não haverá a seleção prometida, como
a necessidade já se impõe, na prática, sobre ela.
Tomemos, por exemplo, a fotografia do candidato Fernando Gabeira pós-convenção
no fim de semana no Rio, comemorando de braços levantados por ninguém
menos que o deputado estadual José Camilo Zito.
Campeão de votos na Baixada Fluminense, Zito é processado
por improbidade, desvio de verbas do SUS e contratações
indevidas. Isso para falar de fatos, deixando de lado as lendas sobre
métodos violentos que há anos o acompanham.
E do alto de qual tribuna hoje prega Zito? Da presidência regional
do PSDB do Rio de Janeiro. Com quatro processos nas costas. Se o presidente
nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, levar ao pé da
letra sua disposição de rejeitar os processados, terá
de começar pela direção.
Como em público não diz que não quer Zito porque
não abre mão dos votos dele nem vai criar confusão
onde não precisa, essa conversa de triagem é só um
artifício. No PSDB e em todos os outros partidos que aqui também
encantam serpentes.
Iludem o eleitor prometendo uma mercadoria que jamais pretenderam entregar.
Com isso, cavam mais fundo o fosso da desmoralização.
(Dora Kramer, em O Estado de S. Paulo, 24 de junho de 2008).
|