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Em 2001, o deputado Chico Alencar (PSOL) apresentou um projeto de lei
proibindo que os órgãos do estado exibissem símbolos
que exaltem a violência. Na época, ele justificou a medida
apontando o mau exemplo do Bope que, ao ocupar o Complexo do Alemão,
desfraldou uma bandeira da caveira na comunidade. Após ver ontem
na primeira página de imagem semelhante àquela, só
que na Vila Cruzeiro, a coluna procurou o parlamentar.
O Bope reincidiu no erro?
Aquilo é um exemplo da cultura do ódio que vivemos no Rio.
Não é compatível com uma instituição
que se propõe a trabalhar pela segurança pública.
Por que não hastearam a bandeira do Brasil, do estado ou uma bandeira
branca, que simbolize a paz? Representariam solidariedade, fraternidade
e nacionalismo.
Mas a bandeira não simboliza apenas uma vitória?
Eles falam que a bandeira quer dizer "conquista". Mas na verdade
estão usando a linguagem dos traficantes. Aquela bandeira é
o mesmo que uma ameaça de morte.
O sucesso de "Tropa de Elite" estimula esse comportamento?
A atuação do Bope está exagerada. Esse tipo de procedimento
condiz com a espetacularização da sociedade. Eles se colocam
numa posição de força inquestionável, acima
de tudo, acima da lei. É a legítima intolerância,
a prepotência. Estimula uma reação ainda mais violenta
da marginalidade. O Bope não está em um filme. A violência
é real e os policiais do Bope estão se achando o máximo.
O que o senhor vai fazer?
Vou propor na Câmara uma moção para criticar a atitude
do Bope. Ela será encaminhada ao governador Sérgio Cabral.
Recebemos com freqüência denúncias de abuso por parte
das polícias. O Rio é o estado com a polícia mais
letal do País. Mata mais e morre mais.
(*) Entrevista publicada no jornal O DIA, em 23 de abril de 2008.
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