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Leia abaixo a íntegra da deliberação da Executiva do PSOL/RJ - 10 de outubro de 2008
O PSOL fez 25 vereadores em 13 estados, dentre esses nossos companheiros Eliomar e Renatinho, eleitos, respectivamente, no Rio e em Niterói. A força do voto de legenda (aqui, maior do que a do PSDB, DEM, PPS, PSB e PDT), as importantes votações de nossos candidatos à prefeitura em várias capitais e a histórica votação de nossa companheira Heloísa Helena em Maceió - marco político nacional desta campanha municipal - atestam que travamos o bom combate, fortalecendo o PSOL.
Fizemos uma bela campanha no Rio de Janeiro. Firme e digna. Comparecemos a todos os debates promovidos por entidades da sociedade civil organizada. Registramos em cartório nosso compromisso público e não recebemos contribuições de campanha provenientes de empreiteiras e bancos. Tivemos no companheiro Chico Alencar a expressão plena de nossas idéias, causas e propostas. E na militância aguerrida, o exemplo permanente de mobilização em torno de nosso projeto de transformação social.
As eleições municipais no Brasil confirmaram o predomínio da despolitização e do liberalismo, em suas várias versões. Os partidos que saíram vitoriosos eleitoralmente desse processo, PMDB e PT, constituem o núcleo central da base do Governo Lula e são os braços políticos que operam as privatizações aliadas às políticas clientelistas.
No Rio, a campanha foi a da mais descarada compra de voto. As ruas da cidade eram tomadas por “boqueiros” que recebiam para segurar placas. Não se tratou apenas de campanha paga, mas de um novo tipo de compra de votos que se agrega a indústria de eleições já existente, que movimenta bilhões, serve para lavar dinheiro e muitas vezes serve de instrumento ao crime organizado, aquele estruturado pelas classes dominantes, principalmente o que opera por intermédio de agentes do Estado.
Com esse quadro adverso para a esquerda as eleições significaram um enorme desafio para o jovem Partido Socialismo e Liberdade em todo o país. Enfrentamos as máquinas partidárias de direita – que, em geral, utilizaram-se das estruturas públicas – e o financiamento milionário de campanhas, por parte de empresas interessadas em negócios nas prefeituras.
Fizemos malabarismos no exíguo tempo que a distribuição antidemocrática nos meios de comunicação nos destinou. Não houve debate entre candidatos e a cobertura tendenciosa nos jornais e TV impossibilitou o confronto de idéias e propostas. Essa eleição foi marcada pela despolitização da política.
Nossa coligação apresentou um projeto que combateu os interesses do grande capital.
Fizemos o contraponto àqueles que, sob o discurso da modernidade e da eficiência administrativa, representavam na verdade alternativas conservadoras.
No Rio de Janeiro, no contexto do segundo turno, entendemos que a candidatura de Eduardo Paes – hoje Sérgio Cabral e Lula, ontem, Marcello Alencar e FHC, anteontem César Maia - expressa a vontade de implementar no Rio as políticas do PMDB. As mesmas praticadas nos governos Garotinho e Rosinha, tão nocivas ao nosso Estado e marcadas pela privatização, pela retirada de direitos e pela criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.
Reconhecemos que parte significativa dos que votaram no candidato Gabeira o fez a partir de um olhar progressista. Sua candidatura, entretanto, sustentada pelo PSDB e naturalmente apoiada por César Maia, do PFL/DEM, com quem o PV governou o Rio por 12 anos, incorpora um projeto privatista e antipopular.
Nesse cenário, o PSOL não apoiará nenhuma das alternativas apresentadas ao segundo turno. Continuaremos na busca da organização popular e da mobilização cidadã em defesa dos interesses da maioria da população. Com coerência e responsabilidade, os esforços do PSOL serão para crescer e se credenciar como alternativa política, ideológica e eleitoral para o município e o estado do Rio de Janeiro. QUALQUER QUE SEJA O ELEITO, NOSSA ATUAÇÃO SERÁ SEMPRE CRÍTICA E PROPOSITIVA, PAUTADA NOS INTERESSES DO POVO CARIOCA.
Executiva do PSOL-RJ
Rio de Janeiro, 10 de outubro de 2008.
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