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No Dia Mundial do Meio Ambiente não há o que comemorar.
O planeta está febril, dizem os relatórios da ONU. O aquecimento
global já está provocando alterações climáticas,
furacões e tempestades; derretendo geleiras e elevando o nível
do mar; mudando a freqüência das chuvas, prejudicando colheitas
e trazendo a fome. Enfim, colocando em risco a sobrevivência daquele
que é o maior culpado por isso tudo - o homem -, além da
grande maioria dos outros seres vivos.
A agressão à Amazônia é o maior símbolo
deste quadro. Lá estão concentrados 30% de toda a biodiversidade
e 20% da água doce da Terra. A Amazônia tem capacidade de
retirar da atmosfera 1,09 bilhões de toneladas de gás carbônico.
É ela que regula o regime de chuvas da América Latina, e
o clima no Centro-Sul, Sudeste e Sul do Brasil. Mesmo assim, a devastação
da Amazônia só tem aumentado. Entre 2000 e 2005, uma área
equivalente a Portugal e Holanda juntos foi desmatada. Somente em abril
de 2008 foram desmatados 1.123 km2, área equivalente ao município
do Rio de Janeiro.
O governo Lula, em nome do desenvolvimento, tem sido um aliado inestimável
dos empresários da soja, madeireiros, criadores de gado e dos grandes
projetos de mineração e siderurgia, que avançam sobre
a floresta em busca de mais e mais lucros, sem se preocupar com as conseqüências
deste ataque sobre a vida dos 20 milhões de habitantes da região,
assim como dos quase 7 bilhões de habitantes do planeta. Ao mesmo
tempo em que diz que a Amazônia é do povo brasileiro, incentiva
a privatização e a exaustão dos seus recursos.
Este desenvolvimento insustentável é o mesmo que foi aplicado
nos países desenvolvidos, e que levou ao esgotamento dos seus recursos
naturais, a poluição das águas, dos solos e do ar,
e a devastação das suas florestas. A China, tida e havida
como modelo, também pratica este modelo de desenvolvimento a qualquer
preço, e hoje enfrenta graves problemas ambientais, como a escassez
de água limpa, a queda do rendimento das colheitas, além
da poluição do ar, que coloca em risco a própria
realização das Olimpíadas.
Dizer que quem defende a Amazônia é inimigo do progresso,
como falam os empresários e seus políticos de estimação,
é uma mentira que só serve para tentar confundir a opinião
pública, cada vez mais atenta ao que está acontecendo com
o meio ambiente. É possível e necessário colocar
em prática um modelo de desenvolvimento social e ambientalmente
sustentável, que utilize os recursos respeitando seus ciclos de
recuperação, usando-os em benefício da maioria das
populações. Um desenvolvimento que utilize energia limpa,
gerada a partir de combustíveis renováveis, mas que não
prejudique a produção de alimentos.
Na Amazônia, ele terá que priorizar o coletivo sobre o individual,
e combinar o local ao planetário. O maior patrimônio da região
- maior do que qualquer ciclo de desenvolvimento intensivo e predatório,
e, por isso, de fôlego curto - é a floresta em pé.
É ela que tem a capacidade de garantir a continuidade da vida no
planeta. Hoje, está de volta uma expressão de nacionalismo,
que demoniza as ONGs estrangeiras por tudo de ruim na região. É
claro que existem ONGs praticando biopirataria ou tentando europeizar
as religiões e as culturas indígenas. Mas, vamos ser claros,
quem desmata e coloca a Amazônia em risco são os próprios
brasileiros, a começar pelo governo federal, dono da maioria das
terras.
Se a Amazônia é um patrimônio do planeta, o Brasil
deve defender que as nações desenvolvidas criem um fundo
para a conservação e a recuperação da floresta,
e para o desenvolvimento de programas de utilização sustentável,
que gerem renda para as populações locais. Neste plano,
o papel das reservas indígenas é fundamental, porque são
elas que sempre garantiram a sobrevivência do bioma amazônico.
E como contrapartida ao compromisso do Brasil com a preservação
da Amazônia, que estas nações ricas coloquem em prática
a recuperação de suas próprias florestas, criando
"outras amazônias" e dividindo a responsabilidade de preservação
da Terra.
A degradação da Amazônia e a aceleração
do aquecimento global tornam estas questões absolutamente urgentes,
mais do que quaisquer interesses do governador/produtor de soja, ou de
empresas que agridem a natureza e que, agora, posam como ambientalmente
responsáveis. Até lá, é necessário
defender nosso patrimônio a qualquer preço. O Exército
será muito mais necessário e eficaz nesta tarefa, do que
ficar vigiando comunidades pobres. O IBAMA deve ser re-aparelhado e, ao
invés de ficar carimbando licenças ambientais apressadas
e descuidadas, encontrar e prender, junto com a Polícia Federal,
quem agride a floresta.
DESMATAMENTO ZERO NA AMAZÔNIA JÁ!
Setorial de Meio Ambiente do PSOL/RJ
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