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O PSOL vai lutar para que o governo e a oposição conservadora,
após o fim da CPMF, deixem de lado a disputa retórica e
algo cínica, pontuada por incoerências de ambos os lados,
para considerar o que se segue:
1) a arrecadação de 2007, até outubro, já
foi cerca de 2% superior à de 2006, sem contar a CPMF - nada de
"terrorismo fiscal", portanto;
2) a CPMF existe há quase 14 anos - 5 sob a gestão Lula
- e nesse período a Saúde Pública só piorou
- há, historicamente, algo de muito errado na gerência desses
recursos e a única novidade foi o governo oferecer, na undécima
hora, promessas de melhor aplicação futura;
3) uma Reforma Tributária para valer precisa restabelecer, entre
outras medidas, o IOF sobre recursos externos aplicados na Bolsa, e aprovar
a lei do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), parada no Congresso há
anos, que só caminha se a base do governo quiser;
4) acenar com o congelamento da remuneração de servidores
e não fazer respeitar o teto nacional nos Três Poderes e
estabelecer limites ao uso dos misteriosos cartões corporativos
é inaceitável;
5) superávit primário superior até ao que o FMI
recomenda não dá mais, nem pagar de juros e amortização
da dívida R$ 152,2 bi (quase quatro CPMFs!), como está na
proposta orçamentária para 2008;
6) urge mudar a maneira de negociar com o Legislativo, apresentando propostas
concretas desde o início e respeitando sobretudo a Câmara,
reduzida hoje à condição de instância homologatória
do Executivo;
7) é preciso anunciar, desde já, que as emendas individuais
ao Orçamento, cimento de "currais eleitorais", não
serão priorizadas e, portanto, sua liberação não
será mais objeto de barganha política;
8) é imperioso compreender que "governabilidade de amor remunerado"
gera insegurança permanente, e só acaba com Reforma Política,
que o governo descartou tanto no primeiro como no início do segundo
mandato Lula.
Chico Alencar, líder do PSOL na Câmara dos Deputados.
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