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HONESTIDADE NÃO É VIRTUDE
Em pronunciamento no Plenário, Chico reaviva a memória da cidadania, lembrando os escândalos no Brasil dos últimos 30 anos. Leia o pronunciamento.
 

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados e todos os que assistem a esta sessão ou nela trabalham:
No universo da política, que tanto interfere em nossa vida cotidiana, as palavras andam perdendo o significado. Falsidades, mentiras e demagogia habitam o "pântano enganoso das bocas" de muitos dos que foram eleitos para representar a população: vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e presidente da República. Devíamos andar com um aparelhinho que, a qualquer afirmação nebulosa ou pouco compreensível, acionasse uma gravação pedindo explicações: "mas o que Vossa Excelência quer mesmo dizer com isso?" A solicitação de esclarecimentos poderia se estender a autoridades do Judiciário que vendem sentenças e enriquecem ilicitamente...
Aprendo em Brasília que, quando alguns falam em "bem comum", estão é defendendo os seus bens particulares; quando proclamam a defesa do interesse público, o fazem para garantir interesses privados; quando bradam por Justiça só querem a de classe, que protege os mais ricos com o manto da impunidade. Até Deus entra nessa dança de mau gosto das "quadrilhas" nada juninas, tendo seu santo nome pronunciado em vão para acobertar as mais deslavadas mentiras...
Os politiqueiros e ladrões do dinheiro público, que "entram na política" (bancados por altos financiamentos de campanha) para conquistar prestígio, poder, aumento irregular de patrimônio e reprodução de seus próprios mandatos, têm um sonho dourado: que cada vez mais gente se desinteresse por suas atividades. Assim eles podem reinar sozinhos, sem incômodos. Uma máxima dos tempos atuais é... despolitizar a política, torná-la um assunto de entendidos, ou apenas de entediados, distantes das coisas boas da vida. Esta deseducação tem funcionado: na democracia brasileira, cujo direito de voto em todas as instâncias foi duramente conquistado por gerações de cidadãos dedicados, o desinteresse e o desencanto são crescentes. Virou rotina o "deixa pra lá que nada adianta". Essa alienação induzida nos levará à ruína!
Felizmente há muitas pessoas de bem no Brasil, que têm valores que o metal sonante não compra, que não se vendem por trinta dinheiros. Mesmo no Distrito Federal que fede, mesmo no Parlamento lamentável, há senadores e deputados que resistem! Pedro Simon propõe que saiamos pelo Brasil pregando a elementar "moralidade pública", Jefferson Peres diz que conta com o "sangue novo" dos mais jovens para reanimá-lo. Muitos já perceberam que sem sociedade mobilizada, sem pressão das praças para os palácios, vamos ficar, de braços cruzados, esperando o escândalo da semana seguinte, ainda maior que o da semana anterior.
Dá para fazer uma grande unidade em torno do elementar, do que não devia, a rigor, sequer ser considerado meritório ou elogiável: respeito e transparência no trato dos negócios públicos. Honestidade - que devia também vigorar nos empreendimentos particulares. Esta é a plataforma mínima para que haja, num jogo limpo, a real disputa de projetos de sociedade, de modos e meios de reduzir a desigualdade e aumentar a participação cidadã no Brasil. Moralidade pública é como ajeitar uma terrinha para, carpida das ervas daninhas, cultivar nela uma horta. Ou arrumar a mesa e colocar talheres e pratos para saborear uma comidinha simples mas decente. Esta pré-paração é urgente. E depende também de você, de cada um de nós. Como li certa vez num muro de cemitério na capital paulista, "reclamando junto melhora!".
Em tempos de julgamento final do rumoroso caso do "Mensalão", segue-se uma lista de escândalos envolvendo pessoas públicas que usaram o Erário para se locupletar, nos últimos 30 anos para contribuir com o estabelecimento de instrumentos eficazes de combate à corrupção, apresentei projeto que dá força de lei à uma norma do Conselho de Controle de Atividades Financeiras - COAF. O projeto define procedimentos a serem adotados pelas entidades financeiras quanto às operações realizadas autoridades públicas, ampliando a lista de autoridades brasileiras a serem consideradas "pessoas politicamente expostas". O projeto contribuirá para coibir operações financeiras suspeitas praticadas por agentes públicos. Isto, como se verá a seguir, virou rotina...

Escândalos no Brasil nos últimos 30 anos

Período Geisel (Governo do General Ernesto Geisel / 1974- 1979)
Caso Lutfala
Caso Atalla
Ângelo Calmon de Sá (ministro acusado de passar um gigantesco cheque sem fundos)
Lei Falcão
Cassações de Parlamentares por "subversão"
Mordomias e Ministros

Período Figueiredo ( Governo do General João Baptista Figueiredo /1979- 1985)
Caso Capemi
Caso do Grupo Delfim
Escândalo da Mandioca
Escândalo da Brasilinvest
Escândalo das Polonetas
Escândalo do Instituto Nacional de Assistência Médica do INAMPS
Caso Morel
Crime da Mala
Caso Coroa-Brastel
Escândalo das Jóias
Escândalo Maluf Pauli Petro

Período Sarney ( Governo José Sarney / 1985- 1990)
Abafa à CPI da Corrupção
Escândalo das concessões de rádios e TVs para políticos aliados
Caso Chiarelli (dossiê do Antônio Carlos Magalhães contra o senador Chiarelli)
Caso Ibraim Abi-Ackel (contrabando de pedras preciosas)
Escândalo da Administração Orestes Quércia
Período Collor ( Governo Fernando Collor de Mello / 1990- 1992)
Escândalo da Aprovação da Lei da Privatização das Estatais (Programa Nacional de Desestatização)
Escândalo do INSS (ou Escândalo da Previdência Social)
Escândalo do BCCI (ou caso Sérgio Corrêa da Costa)
Escândalo da Ceme (Central de Medicamentos)
Escândalo da LBA
Esquema PC
Escândalo da Eletronorte
Escândalo do FGTS
Escândalo do BC
Escândalo da Merenda Escolar
Escândalo das Estatais
Escândalo da Vasp
Escândalo do BB

Período Itamar Franco (Governo Itamar Augusto Cautiero Franco / 1992- 1995)
Escândalo do DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra a Seca) (ou caso Inocêncio Oliveira )
Escândalo da IBF ( Indústria Brasileira de Formulários)
Escândalo do INAMPS ( Instituto Nacional de Assistência Previdência Social)
Irregularidades no Programa Nacional de Desestatização
Caso Nilo Coelho
Caso Eliseu Resende
Caso Queiroz Galvão (em Pernambuco)
Escândalo da Telemig (Minas Gerais)
Jogo do Bicho - ou Caso Castor de Andrade (no Rio de Janeiro)
Caso Ney Maranhão
Escândalo Paubrasil (Paubrasil Engenharia e Montagens)
Escândalo da Cruz Vermelha Brasileira
Caso José Carlos da Rocha Lima
Escândalo da Colac (no Rio Grande do Sul)
Escândalo da Fundação Padre Francisco de Assis Castro Monteiro (em Ibicuitinga, Ceará)
Escândalo da Administração de Antônio Carlos Magalhães (Bahia)
Escândalo da Administração de Jaime Campos (Mato Grosso)
Escândalo da Administração de Ottomar Pinto (em Roraima)
Escândalo da Sudene de Pernambuco
Escândalo da Prefeitura de Natal (no Rio Grande do Norte)
CPI do Detran (em Santa Catarina)
Caso Restaurante Gulliver (tentativa de homicídio perpetrado pelo governador Ronaldo Cunha Lima, antecessor de Tarcísio Burity, por causa das denúncias de irregularidades na Sudene de Paraíba)
CPI do Pó (na Paraíba)
Escândalo da Estacom (em Tocantins)
Escândalo dos Anões do Orçamento ou CPI do Orçamento
Compra e venda dos Mandatos dos Deputados do PSD
Caso Ricupero (também conhecido como "Escândalo das Parabólicas").

Período FHC ( Governo Fernando Henrique Cardoso / 1995- 2003)
Escândalo do Sivam
Escândalo da Pasta Rosa
Escândalo da CONAN
Escândalo da Administração de Paulo Maluf
Escândalo do BNDES
Escândalo da Telebrás
Caso PC Farias
Escândalo da compra de votos para emenda da reeleição
Escândalo da venda da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD)
Escândalo da Previdência
Escândalo da administração do PT em São José dos Campos
Escândalo dos Precatórios
Escândalo do Banestado
Escândalo da Encol
Escândalo da Mesbla
Escândalo do Banespa
Escândalo da desvalorização do Real
Escândalo dos fiscais de São Paulo (ou Máfia dos Fiscais)
Escândalo da Mappin
Dossiê Cayman
Escândalo dos grampos contra FHC e aliados
Escândalo do Judiciário
Escândalo dos Bancos
CPI do Narcotráfico
CPI do Crime Organizado
Escândalo de Corrupção dos Ministros no Governo FHC
Escândalo da Banda Podre
Escândalo dos Medicamentos
Quebra do Monopólio do Petróleo (criação da ANP)
Escândalo da Transbrasil
Escândalo da pane DDD do Sistema Telefônico Privatizado
Escândalo dos desvios de verbas do TRT-SP (Caso "Lalau")
Escândalo da administração Roseana Sarney (Maranhão)
Corrupção na Prefeitura de São Paulo (ou Caso Celso Pitta)
Escândalo da Sudam
Escândalo da Sudene
Escândalo do Banpará
Escândalo da quebra do sigilo do painel do Senado
Escândalo da administração de Mão Santa (Piauí)
Caso Lunus
Acidentes ambientais da Petrobrás
Escândalo do abafamento das CPIs no Governo do FHC
Caso PROER

Período Lula (Governo Luiz Inácio Lula da Silva 2003 até hoje)
Caso Pinheiro Landim
Caso Celso Daniel
Caso Toninho do PT
Escândalo dos grampos contra políticos da Bahia
Escândalo do Proprinoduto no RJ (também conhecido como Caso Rodrigo Silveirinha )
CPI do Banestado
Escândalo dos gastos públicos dos Ministros (cartões corporativos)
Irregularidades do Fome Zero
Escândalo do DNIT
Operação Anaconda
Escândalo dos Gafanhotos (ou Máfia dos Gafanhotos)
Escândalo dos Frangos (em Roraima)
Licitações da Presidência da República Para a Compra de Artigos de Luxo
Escândalo da Norospar (Associação Beneficente de Saúde do
Noroeste do Paraná)
Escândalo dos Bingos (Caso Waldomiro Diniz)
Escândalo da ONG Ágora
Caso Henrique Meirelles
Caso Luiz Augusto Candiota (Diretor de Política Monetária do BC)
Caso Cássio Caseb
Caso Kroll
Escândalo dos Vampiros (Ministério da Saúde)
Escândalo do PTB (Oferecimento do PT para ter apoio do PTB em troca de cargos, material de campanha e R$ 150 mil reais a cada deputado)
Caso Antônio Celso Cipriani
Irregularidades no Bolsa-Escola
Caso Flamarion Portela
Irregularidades no Bolsa-Família
Irregularidades do Programa Restaurante Popular
Escândalo dos Correios (Caso Maurício Marinho)
Escândalo do IRB
Escândalo da Novadata
Escândalo da Usina de Itaipu
Escândalo das Furnas
Escândalo do Mensalão
Escândalo do Leão & Leão ("República de Ribeirão Preto")
Escândalo da Secom
Esquema de corrupção no Diretório Nacional do PT
Escândalo do Brasil Telecom
Escândalo da CPEM
Escândalo da SEBRAE (ou Caso Paulo Okamotto)
Caso Marka/FonteCindam
Escândalo dos dólares na cueca
Escândalo do Banco Santos
Escândalo Daniel Dantas - Grupo Opportunity
Escândalo da Interbrazil
Escândalo da Gamecorp-Telemar (ou Caso Lulinha)
Doação de roupas de Lu Alckmin
Escândalo da Nossa Caixa (SP)
Escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo (caso Palocci)
Escândalo do Banco BMG (empréstimos para aposentados)
Escândalo dos Fundos de Pensão
Escândalo dos Grampos na Abin
Esquema do Plano Safra Legal (Máfia dos Cupins)
Escândalo do Mensalinho (caso Severino Cavalcanti)
Escândalo das vendas de madeira da Amazônia
69 CPIs abafadas por Geraldo Alckmin (em São Paulo)
Crise da Varig
Escândalo das Sanguessugas (caso das Ambulâncias)
Escândalo dos Gastos de Combustíveis dos Deputados
CPI da Imigração Ilegal
CPI do Tráfico de Armas
Operação Confraria
Operação Dominó
Operação Saúva
Escândalo do Vazamento de Informações da Operação Mão-de-Obra
Mensalinho nas Prefeituras do Estado de São Paulo
Escândalo dos Grampos no TSE
Escândalo do Dossiê (caso "Aloprados")
Escândalo da Renascer em Cristo
CPI do Apagão Aéreo ( Câmara dos Deputados)
CPI da Crise Aérea ( Senado)
Operação Hurricane (também conhecida Operação Furacão )
Operação Navalha
Operação Xeque-Mate
Caso Roriz/Gim Argello
Caso Renan Calheiros
Operação Águas Profundas

Agradeço a atenção,

Sala das Sessões, 23 de agosto de 2007.
Chico Alencar - Líder do PSOL-RJ

 

   
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