O MOMENTO É DE REPACTUAÇÃO, NÃO DE EXPULSÕES
A história da Humanidade é um eterno recomeço. A própria invenção do calendário induz a esta renovação contínua e inspirou, ao longo da trajetória dos povos, os rituais de reconciliação, signos de novos temposa!
Ao terminarmos o primeiro ano do nosso governo, com toda sua carga histórica, contradições e asperezas da dura transição, nossa fundada expectativa é numa agenda positiva para o Brasil em 2004, onde cresçam a economia real, a justiça e a cidadania plena.
Para o PT, o segundo ano de nosso governo precisa começar bem, sem divergências cristalizadas em dissidências e sem medidas extremas como expulsões, sobretudo quando derivadas de questões que dividiram a sociedade e o próprio partido.
A posição do governo na Reforma da Previdência foi muito questionada em seminário organizado pela Direção Nacional e pela CUT, que pediu à nossa bancada o voto contrário. Durante sua tramitação, a matéria recebeu emendas sugeridas por segmentos historicamente ligados a nós, sendo que no Senado uma PEC paralela acolheu pleitos pendentes, tudo revelando o caráter controverso da matéria. Em outras matérias igualmente relevantes, como Lei de Falências e MP da legalização dos transgênicos, foi assegurada a pluralidade de visões na Bancada.
O bom senso político ensina que visões diferentes de rumos na direção comum de uma sociedade igualitária e mesmo votos em projetos de contencioso polêmico entre nós não comportam "soluções finais". Não estamos diante de nenhuma infração de ordem ética, lesiva ao interesse público. Do ponto de vista estritamente pragmático, há que se considerar também que o nosso governo aprovou todas as matérias que julgava fundamentais.
Gestos de grandeza elevam quem os pratica. E, sem dúvida, nos fortalecerão como partido democrático e socialista. O MOMENTO É DE REPACTUAÇÃO, NÃO DE EXPULSÕES.