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Sem terra, sem vida
29/03/2012
 
Mais lutadores tombaram no último sábado, dia 24/03, em luta pela Reforma Agrária. Três lideranças do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) foram sumariamente assassinados no Triângulo Mineiro (MG).  Em Pernambuco, uma liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) foi executada no município de Jataúba.
 
Neste mesmo dia, há 35 anos, era morto Dom Oscar Romero, pelas mãos de um militar, enquanto celebrava missa, em El Salvador. O Arcebispo foi assassinado por se identificar com a causa de camponeses como Clestina, Valdir e Milton, mortos no Triângulo Mineiro e Antônio Tiningo, executado no agreste pernambucano.
 
Registro pronunciamento de Frei Gilvander, padre mineiro da Ordem dos Carmelitas: “Nossa solidariedade às famílias de Clestina, Valdir e Milton, mártires na luta pela Reforma Agrária. Nosso apoio à luta justa, necessária e sublime pela libertação da mãe terra. Que os jagunços e mandantes sejam presos, julgados e condenados! Não realizar Reforma Agrária é condenar os filhos da terra à cruz. O agronegócio cresce às custas do sangue dos trabalhadores e da vida a biodiversidade. Enganam-se os que querem impedir a bala a Reforma Agrária. O MST cresceu muito após o massacre de Eldorado dos Carajás em 17/04/1996. O MLST se fortalecerá também. Se matam lutadores, muitos outros surgirão para fortalecer a luta. Que o sangue de Clestina, Valdir e Milton – semeado na terra antes do tempo – circule em nossas artérias. Continuaremos a luta deles. Pátria livre! Venceremos!”
 
Deixo também nos anais da Casa nota do Movimento de Libertação dos Sem Terra denunciando o assassinato das três lideranças no Triângulo Mineiro:
 
Dia 24/03/2012 os companheiros Valdir Dias Ferreira, 40 anos e Milton Santos Nunes da Silva, 52 e a companheira Clestina Leonor Sales Nunes, 48, membros da Coordenação Estadual do MLST no Estado de Minas Gerais, foram executados na rodovia MGC-455, a dois quilômetros de Miraporanga, distrito de Uberlândia. O bárbaro crime aconteceu na presença de uma criança de cinco anos.
 
Os companheiros e a companheira eram acampados na Fazenda São José dos Cravos, no município do Prata, Triangulo Mineiro/MG. A Usina Vale do Tijuco (com sede na cidade de Ribeirão Preto/SP) entrou com pedido de reintegração de posse apenas com um contrato de arrendamento. Diversas usinas vem implementando na região o monocultivo da cana de açúcar, trabalho degradante e o uso intensivo de agrotóxico e destruição do meio ambiente.
 
Essa área foi objeto de audiência no último dia 8 de março de 2012, não havendo acordo entre as partes. Dezesseis dias depois da Audiência as três lideranças que tinham uma expressiva atuação na luta pela terra na região e eram coordenadoras do acampamento foram assassinadas.
 
Trata-se de mais um crime agrário, executado pelo tão endeusado Agronegócio, onde a vida e o direito de ir e vir não são respeitados. A impunidade e a ausência do Estado de Direito na região vem causando o aumento da violência e da tensão social.
 
Os nomes dos companheiros Ismael Costa, Robson dos Santos Guedes e Vander Nogueira Monteiro estão na lista de morte. Solicitamos imediatamente do Governo do Estado de Minas Gerais e da Política Federal proteção às lideranças ameaçadas. Não podemos mais ficar chorando a perda de pessoas, a obrigação do Estado é garantir o direito à vida de sua população, independente de classe social, cor e raça.
 
Por tudo isso, o MLST reivindica aos Governos Federal e Estadual a constituição imediata de uma Força Tarefa na região do Triângulo Mineiro com a participação efetiva da Ouvidoria Agrária Nacional do MDA, INCRA, Secretaria Especial de Direitos Humanos, Secretaria da Presidência da República, Ministério da Justiça, Polícia Federal e o Promotor Agrário de Minas Gerais, Dr. Afonso Henrique.
 
Reivindicamos o assentamento imediato das famílias acampadas na região do Triângulo Mineiro.
 
Por fim, exigimos a prisão imediata dos fazendeiros mentores intelectuais dos assassinatos, bem como dos executores. Basta de Impunidade! Basta de Violência!
 
O MLST presta sua última homenagem aos três dirigentes do Movimento no Triângulo Mineiro, clama por justiça e reafirma seu compromisso na luta pela democratização da terra, para construir um País mais justo e igualitário.
 
Viva Clestina Leonor Sales Nunes!
 
Viva Valdir Dias Ferreira!
 
Viva Milton Santos Nunes da Silva!
 
Uberlândia, 24 de março de 2012 
 
Coordenação Nacional do MLST

 

 

 

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