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Somos todos palestinos
03/11/2011
 
Pronunciamento do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP)

Senhor Presidente, senhoreas e senhores Deputados,
 
Gostaria de saudar a importante conquista da luta do povo Palestino obtida nesta segunda. A partir de agora, a Autoridade Nacional Palestina é um membro pleno da Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Reunidos em Assembleia Geral em Paris, sede da organização, 107 países votaram a favor do pedido da Autoridade Palestina, entre eles o Brasil, França, Índia, China e Espanha. Somente 14 foram contra, mostrando que avança, na comunidade internacional, o reconhecimento político da independência e importância de um Estado Palestino. 
 
Para os palestinos, a vitória na Unesco é vista como um passo adiante na tentativa de ter seu Estado reconhecido pela ONU. A agência cultural foi a primeira na qual os palestinos buscaram integração como membro total desde que o presidente Mahmoud Abbas entrou com o pedido de reconhecimento palestino nas Nações Unidas, em 23 de setembro.
 
É verdade que o caminho para que as Nações Unidas como um todo - e não apenas uma de suas organizações - reconheça o Estado Palestino segue tortuoso, mas a aprovação na Unesco é uma vitória simbólica importante neste complexo jogo diplomático. Uma dos principais lemas da organização é a promoção da cultura de paz no mundo. Aceitar a Palestina como membro é um recado para todo o planeta de que, ao contrário dos que afirmam Israel e Estados Unidos, os conflitos na região não são causados por um único lado dessa história.
 
Não foi à toa que Israel repudiou a decisão da Unesco, classificando a admissão da Autoridade Palestina de "manobra unilateral", que "não mudará a realidade na prática". E que os Estados Unidos já anunciaram uma retaliação à organização. Depois de ameaçar, o governo Barack Obama já confirmou que vai cortar o envio de cerca de 70 milhões de dólares à Unesco, valor que representa mais de 20% do orçamento da organização. A justificativa estadunidense é a de que uma lei dos anos 90 obriga um corte completo de financiamento norte-americano a qualquer agência da ONU que aceite os palestinos como membro pleno antes de que seja alcançado um acordo de paz na região. 
 
A afirmação chega a ser patética, mas foi isso mesmo o que Israel e Estados Unidos declararam nesta segunda: que a entrada da Palestina na Unesco prejudica os diálogos para um acordo de paz, quando deveria, exatamente, ser o contrário. Um espaço como a Unesco deveria funcionar inclusive como mais um lócus dessa negociação. Israel chegou a dizer que países como a França, que apoiaram a Palestina neste momento, terão sua influência sobre Israel "enfraquecida, principalmente em relação ao processo de paz". Os seja, a guerra cruel de um Estado contra um povo e seu território ocupado perdura e Israel defende a idéia de que o apoio da comunidade internacional só piorará a situação. Se a lógica é essa, o que pode melhorar?
 
As negociações estão estagnadas há 13 meses, quando expirou uma moratória israelense à construção de novas casas nos assentamentos na Cisjordânia. Desde então, os esforços para restabelecer as negociações não deram resultado. No último final semana apenas, foram 13 as vítimas do enfrentamento entre israelenses e palestinos; doze do lado palestino. 
 
Desta tribuna, senhor Presidente, saudamos então a resistência do povo Palestino, compartilhando a informação de que, entre 9 e 16 de novembro, acontece em todo o mundo mais uma série de atividades como parte da Semana Mundial contra o Muro do Apartheid na Palestina. Será uma campanha também de divulgação do boicote a produtos de Israel, como mais uma forma de pressão contra as ações do Estado na região.
 
No dia 26 de Novembro várias organizações promoverão um Dia de Ação batizado de "Corte o apharteid do cardápio",  com iniciativas de boicote a produtos alimentícios israelenses vendidos no mercado internacional.
 
O muro do apartheid, alvo da campanha, foi iniciado em 2002 e condenado pelo Tribunal Penal Internacional de Haia dois anos depois. No entanto, continua em construção, impedindo ainda mais o acesso à educação, à saúde, ao trabalho, enfim, o direito à livre circulação dos palestinos e anexando suas terras. Quando concluído, terá cerca de 700 metros de extensão e 9 metros de altura. É um absurdo, que deve ser repudiado por nós e pelo Estado brasileiro.
 
Muito obrigado
 
Ivan Valente
Deputado Federal PSOL/SP

 

 

 

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