20/04/2014
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O poeta do simples
03/11/2011
 
Há 109 anos, neste 31 de outubro, nasceu Carlos Drummond de Andrade. Aquele que nos falou em versos, imorredouros. Por isso hoje é o Dia D, de Drummond.
 
Do Drummond com a arma das palavras, como nós, Lutador:
 
Lutar com palavras 
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
 
(...)
 
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue…
Entretanto, luto.
 
Do Drummond poeta da Flor e da Náusea, esperançoso:
 
Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
(...)
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
(...)
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio,
paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
 
(...)
 
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas  da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
(...)
 
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
 
 
Do Drummond antifacista, que denuncia que A Noite Dissolve os Homens:
 
A noite desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.
 
A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,
nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total incompreensão.
A noite caiu. Tremenda, sem esperança...
(...)
 
E o amor não abre caminho na noite.
(...)
 
Aurora, entretanto eu te diviso,
ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
 
(...)
 
O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus dedos,
teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que avançam
na escuridão
como um sinal verde e peremptório.
 
(...)
 
Havemos de amanhecer.
O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
para colorir tuas pálidas faces, aurora.
 
 
Do Drummond solidário, de Mãos Dadas:
 
Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito,vamos de mãos dadas.
 
(...)
 
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.
 
 
Do Drummond portador:
 
que tem apenas duas mãos 
e o sentimento do mundo. 
 
 
Do Drummond cujos Ombros Suportam o Mundo:
 
(...)
 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
 
(...)
 
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
 
 
Do Drummond ambientalista, cantor das Águas e Mágoas do Rio São Francisco:
 
Está secando o velho Chico.
Está mirrando, está morrendo.
 
(...)
 
Não colho qualquer resposta,
nada fala, nada conta
das tristuras e renúncias,
dos desencantos, dos males,
das ofensas, das rapinas
que no giro de três séculos
fazem secar e morrer
a flor de água de um rio.
 
 
Do Drummond visionário, que nos disse:
 
"Se eu fosse deputado federal, estaria hoje muito apreensivo.
 
 (...)
 
Onde e como guardar eternamente o lixo atômico? Por essas e outras, os Estados Unidos e a própria Alemanha, que nos vendem usinas nucleares, não querem mais saber de novos reatores em seus territórios. Inglaterra e Suécia já paralisaram completamente seus programas nucleares. E nós? Acidentes conhecidos desmoralizaram o mito da infalibilidade das usinas nucleares. 
 
Se o futuro é incerto, e se a ciência não pode garantir um nível de segurança que tranquilize o ser humano, a construção dessas usinas tem caráter de ameaça.
 
(...)
 
Se eu fosse deputado, a este hora, perderia o sono pensando nos riscos impostos ao país para nos envaidecermos de empreendimentos que buscam o chamado progresso e liquidam a segurança de viver. Mas é preciso ser deputado para sentir o peso atroz dessa ameaça? Eu, homem do povo e escrivão público, participo desse terror. E acho que o Poder Lesgislativo tem obrigação de pedir contas desse programa assustador, desenvolvido a sua revelia e sob total ignorância do povo". 
 
Do Drummond eternamente vivo na sensibilidade e na nossa Memória:
 
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
 
 
Nada pode o olvido
Contra o sem sentido
apelo do não.
 
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
 
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

 No site Congresso em Foco, Chico dá depoimentos sobre Drummond, e protesta contra esvaziamento da Câmara.

 

 

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