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Dois eventos demonstram contornos perversos da opção de desenvolvimento feita pelo Governo Federal para a Amazônia. No último sábado (22/10) foi assassinado mais um líder extrativista no Pará, João Chupel Primo. Enquanto isso, o governo Dilma decidiu não aceitar o convite da Organização dos Estados Americanos (OEA) para debater as consequências da construção da megausina de Belo Monte.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA discutirá o não cumprimento de medidas cautelares de proteção das populações indígenas do Xingu. Em abril deste ano, a Comissão havia pedido a suspensão da hidrelétrica de Belo Monte. A ausência do governo Brasileiro foi criticada por Andressa Caldas da ONG Justiça Global “Esta decisão é uma grave ruptura do diálogo e representa uma mudança radical de postura no respeito aos direitos humanos”.
Sem a participação do Governo, a reunião acontecerá com a presença do Movimento Xingu Vivo para Sempre e da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, além da Justiça Global.
A omissão do Governo em discutir os efeitos do modelo de desenvolvimento proposto para a Amazônia alimenta ainda mais os conflitos socioambientais na região.
O assassinato de mais uma liderança extrativista no Pará deveria levar a presidente em repensar sua postura. João Chupel Primo foi morto com um tiro algumas horas depois de denunciar, em detalhes, a exploração ilegal de madeira na Reserva Extrativista (Resex) Riozinho do Anfrísio e na Floresta Nacional Trairão. A rotineira e macabra impunidade estimula os criminosos mandantes e pistoleiros.
Quantas mortes mais terão que acontecer para que o Governo Federal reoriente sua política de desenvolvimento da Amazônia? É um imperativo fortalecer alternativas limpas de energia, prover a proteção das comunidades e suas lideranças, apoiar a produção local com créditos, educação contextualizada e desenvolvimento da agroindústria dos assentamentos, ecologicamente equilibrada.
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