20/04/2014
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Tragédia anunciada faz um ano

 

A tragédia mais anunciada da história do Rio faz um ano

 

Há um ano ocorria a tragédia com o bondinho de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, vitimando de forma letal seis pessoas – Nelson Correa, Claudia Fernandes, João Batista Soares, Ivone da Silva, Maria Eduarda Nunes, Alcides de Abreu Gonçalves - e deixando 56 feridos. Outros acidentes já tinham acontecido: a professora Andreia de Jesus Resende, de 29 anos, morreu atropelada ao saltar de um bonde que perdeu o freio numa ladeira do bairro, e o turista francês, Charles Damien, caiu, ao tentar tirar uma foto do alto dos Arcos da Lapa, sofrendo lesões fatais - a grade de segurança não resistiu ao peso do rapaz.

Por ocasião desta triste data, registro nos anais da Casa a preciosa e precisa manifestação da Associação dos Moradores de Santa Teresa (AMAST), assinada por sua presidente Elzbieta Mitkiewicz.

 

MARCO 27 DE AGOSTO DE 2012

UM ANO SEM O BONDINHO DE SANTA TERESA

 

“Neste 27 de agosto terá transcorrido um ano desde a tragédia anunciada com o bondinho de Santa Teresa, que não só deixou perdas irrecuperáveis, ceifando vidas, mas que também, de modo absurdo, teve como resposta a postura autoritária e defensiva do governo do Sr. Sérgio Cabral. Ele que se recusou completamente a dialogar com a nossa associação de moradores e, escandalosamente, deu continuidade ao seu projeto de desmantelamento do sistema de bondinhos históricos de Santa Teresa, tombado pelo Inepac e, mais recentemente, pelo Iphan.

 

É preciso reiterar que não teriam ocorrido nem o acidente com o bonde n° 10 – consequência da falta de manutenção e da negligência por parte dos responsáveis superiores pela empresa estatal Central –, nem a pane de frenagem do VLT “Frankenstein” que matou a professora Andréia – consequência da incompetência da empresa T-Trans –, caso o governo estadual tivesse cumprido a sentença judicial de 24 de agosto de 2009, que o condenou a recuperar integralmente o nosso sistema de bondes históricos.

 

Além de seus reiterados adiamentos e protelações junto ao Ministério Público Estadual e do indiciamento de funcionários subalternos, em contraste com a ‘blindagem’ do secretário de Transportes Júlio Lopes e do diretor Fábio Tepedino, que estavam mais do que alertados, o governo, sem temer a lamentável repercussão desse gesto na opinião pública e desconsiderando o parecer dos técnicos do Crea, Sindicato dos Engenheiros, Clube de Engenharia, e dos trabalhadores ferroviários culminou, sem qualquer pudor, por premiar a empresa T-Trans! Esta ganhou, em junho passado, nova licitação para fabricar novos bondes, mais caros ainda, desrespeitando o modelo do bondinho tombado e reduzindo drasticamente sua capacidade de transporte. Para quem não se lembra, a T-Trans é a responsável pelo fracasso total, reconhecido pelo próprio governo do custoso “Frankenstein”. Esta empresa inidônea, cujo contrato com o governo estadual foi considerado ilegal pelo Tribunal de Contas do Estado em 2009, precisa é prestar contas do prejuízo que deu aos cofres públicos e ser criminalmente responsabilizada pelos vários acidentes ocorridos com seu fake de bonde-trem.

 

Temos exaustiva documentação atestando que desde os anos oitenta, e particularmente desde 27 de agosto de 2011, quase que diariamente percorremos todos os caminhos em busca de uma solução que devolvesse ao nosso bairro o bondinho histórico, núcleo da identidade da APA de Santa Teresa e, certamente, um dos nossos maiores exemplos de obra humana (cultura) harmonizada com a natureza, virtude que conferiu ao Rio o título de Paisagem Cultural da Humanidade.

 

O bondinho de Santa Teresa é patrimônio material e também imaterial por circunscrever todo um modo de vida peculiar e cidadão. É referência de sustentabilidade, é história e é também futuro mais feliz!

 

De fato, percorremos em vão todos os caminhos junto aos poderes do estado, recebemos a simpatia e a solidariedade de personalidades públicas e instituições, mas da parte do governo do estado só nos deparamos com a surdez disfarçada ou ostensivamente assumida. Agora, diante de tantas irregularidades e tenebrosas “transações”, estamos apelando para o Ministério Público Federal. Não vamos desistir dessa luta, apesar de todo o poder da autoconfiante máquina governamental, que tripudia sobre o apelo popular, ignorando que quando a causa é justa Davi supera Golias.”.

 

A programação da Associação de Moradores de Santa Teresa (AMAST) para marcar 1 ano sem bondinho será intensa. No sábado, 25 de agosto, às 15 horas, haverá um Ato Ecumênico na Igreja Anglicana. No domingo, 26 de agosto, às 10 horas, haverá missa de um ano em memória de Nelson Silva e demais vítimas do acidente - na Igreja Matriz. Também às 10 horas, em Ipanema, ocorrerá a manifestação “O bonde ladeira abaixo”, promovida pelo movimento “o bonde que queremos”.

 

Encerrando, às 18 horas, haverá um grande ato no Largo do Guimarães, com a participação de artistas - foram convidados todos os candidatos a Prefeito do Rio, para comprometimento público com a luta do bairro e o resgate dos bondinhos. Perdemos vidas, mas não perdemos o bonde, nem a esperança!

 
 
 
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