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Discurso enamorado!

Gustavo Lima
 

GRANDE EXPEDIENTE – 12 DE JUNHO DE 2012/PSOL

 
Por uma feliz coincidência, sorteado para falar neste DIA DOS NAMORADOS, véspera de Santo Antônio, o popular santo casamenteiro.
A exortação ao carinho, que só é precioso se não for de 1 dia,  animado pela publicidade da sociedade do ‘compro, logo existo’, também deve chegar ao mundo da política:
É hora de avaliarmos a quantas anda nossa PAIXÃO pelas boas causas da Humanidade.
É hora de nos enamorarmos também no plano social e político. Esta paixão, este enamoramento, este entusiasmo são o melhor antídoto contra a política da mediocridade, dos negócios, da falsidade, do divórcio em relação ao interesse público.
 
Mário Quintana: AMAR É QUANDO UM MORA DENTRO DO OUTRO.
 
Quero trazer essa reflexão: nós, da política institucional, da representação partidária, estamos morando dentro da realidade brasileira, a fim de transformá-la? Ou há um abismo entre nossa prática parlamentar e a vida concreta?
Celebra-se hoje meio século do CONCÍLIO VATICANO II.  A Igreja Católica viva, à época, uma grave crise, pelo distanciamento dela em relação ao mundo. O Concílio, que foi ecumênico, visava atualizar conceitos e popularizar práticas, com o objetivo de aproximar a mensagem evangélica das alegrias, angústias e esperanças de toda gente.
Assim nós, no plano da sociedade laica, devemos agir também: buscar a reaproximação, o ‘casamento’ com as necessidades reais da nossa gente.
Necessidades que estão bem distantes do balcão de negócios em que se transformaram partidos e política, com essa cachoeira de escândalos, que não são de hoje.
Mas neste século XXI o maior e mais urgente enamoramento, a mais urgente PAIXÃO é pelo reencontro com a natureza, da qual fazemos parte.  É premente descobrirmos que somos irmãos de todos os que têm asas, patas e raízes nesta nossa casa comum, a TERRA.
É na perspectiva desse encantamento apaixonado, da política com ideais e causas, que o PSOL se proclama um partido ecossocialista.
E é com esta autoridade que, no Dia dos Namorados, às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, o PSOL faz um alerta contra as ilusões ingênuas, contra a sedução fácil de quem não está verdadeiramente apaixonado para encontrar caminhos de sobrevivência no planeta ameaçado.
ENAMORAR-SE PELA ÁGUA, ESSE BEM PRECIOSO E COMUM, QUE NÃO PODE SER MERCANTILIZADO NEM DESPERDIÇADO.
Em duas décadas, SE O MODELO ECONÔMICO ATUAL PERSISTIR, metade da população mundial viverá violência e instabilidade social pelo aumento do desemprego combinado com a escassez de alimentos, energia e ÁGUA. A afirmação é de 2.700 cientistas em relatório de 6.700 páginas sobre o ‘Estado do Futuro’.  
Por volta de 2025, três bilhões de pessoas não teriam acesso a esse bem vital, a água. A concentração urbana e a redução dos biomas, já em curso, favorerá o surgimento de novas pandemias.
A contaminação do AR, outro bem comum fundamental, já está provocando doenças respiratórias que levam à morte prematura. 6 milhões de pessoas por ano. A poluição mata, e não só a do cigarro ingerido voluntaria e individualmente.
A elevação da TEMPERATURA pode chegar a 3 graus Celsius ao final deste século, quando o limite tolerável é de 2 graus, que praticamente já atingimos.  Sem significativa redução dos gases de efeito estufa os extremos climáticos que já enfrentamos, no Brasil e no mundo, aumentarão, com secas prolongadas e tempestades arrasadoras.
“Temos apenas uma década para livrar a civilização humana de uma ecocatrástofe planetária” – afirma Leonardo Boff. E repete Saramago: “não sou pessimista, a realidade que é péssima.
Péssima mas não imutável.  É preciso forte decisão política e amplo movimento cultural e ideológico para mudar radicalmente nosso modo de produção e nosso padrão de consumo imperantes no mundo.
No modelo atual, produtivista, de ‘livre’ mercado, logo precisaremos de 2 Terras para garantir um crescimento médio de 2% ano em todos os países.
Que ninguém se iluda: o Brasil da presidenta Dilma, uma desenvolvimentista ferrenha, segue nesse caminho global da falta de precaução. A construção de mega-hidrelétricas é um exemplo disso, quando o mais importante era se reorientar o consumo de energia e reduzir perdas nas linhas de transmissão. A transposição das águas do S. Francisco também vai beneficiar, se um dia for concluída, muito mais os grandes produtores da carcinicultura do que a população do semi-árido.
 
Um outro mundo é possível e necessário.
 
20 anos após a Rio 92 o cenário é preocupante. Suas belas intenções, como a Agenda 21 e as convenções de combate à desertificação e de respeito à diversidade biológica mal saíram do papel.
A Rio+20 nasce com um defeito congênito: NÃO FOI FEITO UM BALANÇO DO QUE SE REALIZOU OU DEIXOU DE REALIZAR DA RIO 92 ATÉ AQUI, E AS RAZÕES DISSO.
A Rio+20, sem a presença dos chefes de estado dos EUA, Alemanha, Inglaterra e China, entre vários outros de países com maior poder decisório, já se anuncia frustrante.
Mas nós, dos movimentos sociais e populares, faremos o que os governantes não querem ou não podem fazer. Daí a grande mobilização em torno da CÚPULA DOS POVOS, QUE ACONTECERÁ PARALELAMENTE À REUNIÃO DA CIMEIRA GOVERNAMENTAL.
Minha contribuição aqui, hoje, vai no sentido do balanço que não foi feito oficialmente. O saldo não é bom, mas apenas olhando no olho da tragédia teremos condições de enfrentá-la.
 
DA RIO 92 PARA CÁ...
. As emissões de CO2, o principal dos GEE, aumentaram em 36%
. As cidades com mais de 10 milhões de habitantes, com toda a precariedade da qualidade de vida que a megalópole impõe, cresceram em 110%
. 300 milhões de há de florestas tropicais desapareceram
. Cresceram em 35% os fertilizantes nitrogenados usados na agricultura, e o Brasil tornou-se o maior consumidor mundial de agrotóxicos
. O consumo predatório dos recursos naturais ampliou-se em 40%
. O abismo entre pobres e ricos aumentou, em muitas partes do mundo, fruto do sistema concentrador de riqueza e renda (e não redistributivo). No Rio, ‘Cidade Maravilhosa’ que mais uma vez sedia a Conferência da ONU, 1 milhão e 500 mil pessoas vivem sem saneamento básico de água e esgoto
. A população que vivia nas favelas cariocas, em 92, era de 881 mil moradores. O Censo de 2010 constatou que ela atingiu 1,39 milhão: crescimento de 58%
 
 
 
 
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